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Simples omissão

Por Éder Ferrari

Simples omissão
Gosto sempre de usar metáforas e fazer analogias nos meus textos. O futebol está sempre se renovando no mais do mesmo e, por isso, é preciso fugir do lugar comum para manter as linhas atraentes. Isso me ajuda a manter o foco e não me deixar levar só pelo sentimento. Ele permeia todos meus limitados artigos, porém os fatos e a imparcialidade têm de estar sempre à frente. Ainda mais quando se trata do Bahia, que mantém sempre o mesmo padrão de equívocos. Depois de um jogo como esse contra o Atlético-GO a vontade era de jogar tudo para cima e desabafar com padrões linguísticos, digamos assim, chulos. Tentarei manter o otimismo e a postura, mas só se fizer sentido.
 
Marcação avançada, time aceso, dois atacantes, dois meias e as duas laterais ocupadas por jogadores da posição. Os primeiros minutos do jogo contra o fraco, mas organizado Atlético-GO foi alentador. Parecia ali outro Bahia. Finalmente teríamos uma atuação convincente, que recuperasse a autoestima do torcedor e da equipe. O gol de Caio Cesar – Fabinho puxou para ele, mas não vi o desvio dele na bola – veio em um momento de completo domínio tricolor. Aliás, Caio, mesmo visivelmente fora de forma e de ritmo de jogo, mostrou que quando atingir o 100%, será fundamental no segundo turno. Caio Júnior vai ter de inventar nova posição para o intocável Mancini, né? Difícil de suportar! 
 
Gol feito e rival dominado. Pela decisão que o momento do campeonato tornou a partida, era de se imaginar a mesma postura. O Atlético não mostrava forças e o Bahia poderia matar o jogo ainda no primeiro tempo. Isso seria o que qualquer time organizado e com a cabeça no lugar faria. Não foi e não é o caso! Pelo comportamento do adversário, não havia justificativa para agir diferente. Esperar feijão com arroz dessa equipe é querer demais. Estupidamente, recuou e chamou os goianos para cima. Ainda assim, criou duas boas chances de ampliar o marcador. A resistência do outro lado era quase zero. Ainda tento achar algo que justifique abdicar de jogar tão cedo.
 
O segundo tempo ia à mesma toada sem graça, de um jogo nível Série C, só que sem a entrega dos jogadores. Por sinal, volto a dizer. Um time como o Bahia, fora do G12 financeiro, tem de entrar nas competições nacionais taticamente encaixado e com variações. Junto a isso, vontade de ganhar como se fosse o último prato de comida. O tricolor atual não tem nada disso. De volta ao jogo. As limitações técnicas dos dois times deixou nítida a razão de estarem nas últimas posições. Nada acontecia, até Caio Júnior entrar em cena – não tenho como jogar para ele o recuo do time. Parece já ser algo natural. As três substituições feitas foram equivocadas!
 
Qual o motivo de ter tirado Jussandro? Não vi declaração em lugar nenhum e nem ele demonstrava cansaço. Fez muito bem o papel e o Atlético não fez nada por ali. Sem motivo algum, Caio Júnior tira o garoto e improvisa Victor Lemos, que já havia sido lamentável na lateral esquerda contra Náutico e São Paulo. Os goianos cresceram pela direita e, em menos de cinco minutos, criaram duas chances claras em falhas do volante deslocado. O Bahia perdeu em marcação, apoio e posicionamento. Deve dar desespero ver alguém da divisão de base sendo mais útil que os vindos de fora. Não vejo outra explicação. Realmente espero que alguém venha e diga que Jussandro cansou e pediu para sair. Só assim para ainda ter alguma esperança na visão turva de jogo da comissão técnica.
 
Vejo Cláudio Pitbull jogar há mais de dez anos. Nunca o vi jogar no meio de campo, quase como um terceiro homem. Não tem a menor característica e nem qualidade para isso. O que Caio Júnior faz? O coloca no lugar de Caio Cesar, que vinha sendo um dos melhores do Bahia justamente por acalmar o jogo e tentar organizar o time, e coloca um atacante corredor e brigador no lugar. Era de se esperar, pelo menos, que Gabriel fosse recuado. Para que fazer o óbvio? Uma simples inversão e se resolvia, mas o treinador preferiu manter os dois improvisados. Parece uma compulsão! Gabriel seguiu sacrificado e com o rendimento caindo por jogar fora do estilo e Pitbull com meio tempo em campo, foi o jogador tricolor que mais errou passes. Fazer o claro não deve justificar o salário milionário, né?
 
O básico, já que provavelmente Caio César tenha sentido a falta de ritmo, era colocar Jéferson no lugar dele. Mesma posição e estilo de jogo semelhante, apesar de o primeiro ser destro e o segundo canhoto. Mesmo com o Bahia todo recuado, o Atlético não oferecia tanto perigo. O treinador com critérios de vídeo game na escalação e alterações, jogou fora dois pontos que seriam fundamentais no final do campeonato. Tentou consertar ao colocar Jéferson na vaga de Zé Roberto que, mais uma vez, ciscou, ciscou, cansou e nada! No entanto, já era tarde e o time estava completamente desestruturado. Não tinha forças técnicas, táticas e físicas para buscar algo diferente do empate. Estavam acomodados. A campanha pífia e apagada é reflexo de um time sem sangue.
 
Mesmo com quase tudo de ruim sendo feito, o Bahia conseguiu terminar o primeiro turno um ponto fora da zona do rebaixamento. Migalhas, porém deixa a esperança de que esse ano repita o ocorrido em 2011: que a ruindade dos concorrentes seja maior! O tricolor também precisa fazer por onde. Nem que seja um pouco. Peço, pela milésima vez, um choque de realidade no elenco. O perfil atual é de acomodação, relaxamento. Os caras parecem estar em uma zona de conforto intransponível. A diretoria vai esperar o que para quebrar isso? Vai esperar o que para cobrar outra atitude do treinador? As soluções são tão simples, que dá desespero ver tamanha omissão. Parece que querem acabar com o amor da torcida pelo clube.