De dentro para fora
Mais um jogo e outro desgosto para a torcida tricolor. Essa tem sido a rotina em quase todas as rodadas do Campeonato Brasileiro. Na Copa Sul-americana o “quase” não teve vez. Foram duas derrotas incontestáveis, daquelas que expõem várias feridas abertas. Cicatrizá-las ou não depende das atitudes que forem tomadas daqui por diante. E, por mais absurdo que possa parecer, alguns dos incansáveis erros da diretoria têm soluções práticas e básicas a curto prazo. O que não pode é o barco seguir nesse mesmo caminho atual. Dificilmente terá volta. Os problemas do Bahia têm de ser resolvidos de dentro para fora. Diretoria, comissão técnica e jogadores precisam colocar a mão na consciência, ter autocrítica e bom senso para encarar os equívocos.
A partida contra o São Paulo foi basicamente mais do mesmo. Um time sem recursos técnicos, táticos, entrega e critérios inexplicáveis na escolha da escalação e substituições. Caio Júnior pegou o barco andando a deriva. Não foi ele quem montou o grupo de jogadores. Não foi ele quem fez o planejamento para a base não ser aproveitada. Não foi ele quem manteve um departamento físico que perde um jogador com lesão muscular rodada sim, rodada não. Caio chegou como um cego surdo em tiroteio, mas com uma metralhadora na mão. Como não poderia deixar de ser, os tiros têm saído a esmo e atingido inocentes. O que quero dizer é: o treinador atual não tem culpa no cartório, porém seus esforços têm mais atrapalhado que ajudado. É um desastrado em uma sala com frágeis peças de cristal. Na verdade, de vidro fino e de má qualidade.
A escalação escolhida contra o tricolor paulista foi uma aberração. Insisto em dizer que parecia ser coisa de videogame. Entendo os desfalques e a limitação de contar apenas com 18 jogadores para o confronto. No entanto, nada que justifique ter dois laterais direitos no banco de reservas e colocar um volante improvisado no setor. Fica mais injustificável ainda, quando se observa não ter Diones nenhum cacoete para essa improvisação. Foi sempre abaixo da crítica. Pior é ter levado Madson, parado desde o dia 24 de maio, só para passear. Caio Júnior preferiu terminar com uma substituição por fazer, a dar um pouco de ritmo de jogo ao garoto. Moral da história, o titular da posição perdeu dois dias de treinamento para nada! Serviu apenas para atrasar o retorno ao nível físico ideal. Quais os critérios para essas escolhas? Será que não tem ninguém para cobrar essas coisas de um treinador “novato” e ainda sem conhecimento total do elenco?
Mancini, que já foi um grande jogador, tem se mostrado limitado tecnicamente e fisicamente. Não apresenta dinâmica de jogo nem para ser o quarto homem de meio de campo, com poucas obrigações na marcação, quanto mais de segundo volante. Já tinha sido lamentável como terceiro. Zé Roberto, tido pelo presidente Marcelo Guimarães Filho como “o melhor jogador do Bahia”, não consegue dar sequências as jogadas e, com 15 minutos do segundo tempo, não suporta mais o ritmo dos jogos. Gabriel tem sido minado pelo esquema tático. É um jogador extremamente objetivo, com toques curtos, triangulações e jogadas de ultrapassagem. Porém, tem jogado bem aberto pela direita, isolado do resto do time e, obviamente, o rendimento caiu. Mesmo com muita habilidade, não é explosivo e driblador, como tem sido exigido nesse “sistema” de jogo. Nem as cobranças de falta, uma grande virtude do meia, o deixam mais cobrar. Mais uma escolha injustificável e inacreditável. Com todo o respeito, Júnior já deu o que tinha de dar e tem de ser afastado do elenco. Não demonstra mais ter nível para jogar uma Série A.
O elenco não será mudado, mas existem soluções e qualidade para tirar o Bahia dessa situação. De forma urgente e sem ser exatamente nessa ordem, vamos a algumas sugestões. Posso estar errado, mas são apenas críticas construtivas e não tentativa de ser sabidão. Primeiro alguns jogadores precisam ser afastados do elenco para não serem mais usados, como aconteceu com Gerley. Não se trada de buscar bodes expiatórios e sim de reduzir a desqualificação do grupo. Segundo é preciso marcar jogos treinos para dar ritmo de jogo e ajudar o treinador a conhecer todo o elenco. Omar, Neto, Madson, Dudu, Alysson, Lenine, Jussandro, Caio Cesar, Kléberson, Jefferson, Cláudio Pitbull e Rafael, além de outros, precisam ou vão precisar disso. Hoje mesmo, quarta-feira (22), deveria ter um. Terceiro é ter a velha lavagem de roupa suja da diretoria com o elenco e o treinador. É preciso cobrar sempre entrega e raça. Os salários não estão em dia? Não dão todo conforto e estrutura? Tem de exigir o algo mais de forma firme. Quarto, reuniões semanais entre Paulo Angioni, Newton Mota e as comissões técnicas Sub-23, Sub-20 e profissional. Alguns garotos podem e devem ser pinçados sim! Observações, troca de informações e critério. A mudança no tricolor para fugir do rebaixamento tem de ser de dentro para fora.
