Realidade e esperança
Realidade
(real + -idade)
s. f.
1. Qualidade do que é real.
2. Existência de facto.
3. O que existe realmente; coisa real.
4. Conjunto de todas as coisas reais. = REAL
em realidade: o mesmo que na realidade. ≠ FANTASIA, FICÇÃO, IRREALIDADE
na realidade: realmente, na verdade, com efeito.
ocultar a realidade: esconder (o jogo).
Esperança
(esperar + -ança)
s. f.1. Disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há-de realizar ou suceder.
2. Expectativa.
3. Coisa que se espera.
4. Confiança.
5. [Religião] Uma das virtudes teologais.
adj. 2 g. s. 2 g.
6. [Desporto] Diz-se de ou categoria de desportistas, de idade variável consoante o desporto, situada geralmente depois dos juvenis e antes dos juniores.
7. [Desporto] Diz-se de ou desportista dessa categoria.
Procurei o dicionário online para traçar um paralelo do Bahia hoje e do sentimento que resta nessa perspectiva. Só a última que morre para nos fazer enxergar uma saída nesse momento. A competência passa longe em quase todos os setores do clube e a bomba explode dentro de campo. Não é extremismo ou derrotismo pela sequência de resultados ruins. É apenas o que está estampado faz tempo. Falei sobre isso em 2009, 2010, 2011 e esse ano, mesmo após o título baiano. Acertos, méritos, não podem simplesmente apagar erros e deméritos. Devem sim, ser usados para corrigir. E isso não acontece no tricolor. Qual a diferença do que foi feito em 2011 para o realizado essa temporada, no planejamento? Quais os critérios usados nas contratações, por exemplo?
O que nos resta? Manter a esperança em fatos novos, como a contratação de um lateral esquerdo que resolva ou que Jussandro consiga uma sequência e se firme. Talvez as duas coisas. Esperar que Madson, Caio César – já está a disposição, mas volta de lesão e ainda precisa perder peso e ganhar ritmo de jogo -, Jefferson, Kléberson e Ávine retornem do departamento médico na ponta dos cascos. Pelo menos metade deles. Mudaria completamente a cara do time. É a última que morre ou é rebaixada. O Bahia chegou a um ponto que resta apenas acreditar na recuperação dos jogadores. Por que o elenco não vai mudar e as coisas estão cada vez mais depositadas dentro de campo. Uma queda para a Segunda Divisão em nada ajudará o Bahia. Em nada!
Náutico 1x0 Bahia
Nem queria falar muito sobre a partida contra o Náutico, mas vamos lá. Quando vejo as estratégias de jogo utilizadas por Caio Júnior, remeto aos anos de 1997, 1998 e 1999. Nessa época, tinha um joguinho viciante no computador chamado Elifoot 98. Nele, fazíamos mudanças doidas e sempre tínhamos um cara para resolver no intervalo. Era um passatempo genial! No entanto, quando trazemos o Elifoot para a realidade as coisas não são tão divertidas. O treinador tricolor tem sempre utilizado o primeiro tempo para segurar o adversário. Analisar a forma de jogar e, com um posicionamento bem defensivo, manter o 0x0. Esse é parece ser o objetivo. Quando ele é alcançado, Caio Júnior faz uma mudança ofensiva para tentar vencer no segundo tempo.
Parece até algo interessante, né? O caso é que o jogo tem 90 minutos e o Bahia não tem recursos táticos, técnicos e de variações para correr atrás apenas em 45. Não tem como se dar esse luxo. Reconheço que falta tempo para preparar o time com jogos quarta e domingo, mas não justifica abrir mão de qualificar jogadas ensaiadas e bola parada, por exemplo. Às vezes também falta enxergar melhor o jogo. No momento que não dava mais para Mancini – em algum momento deu? –, a escolha óbvia e lógica era a entrada de Caio e não de Ciro. A equipe seguiu sem articulação no meio de campo e ainda deixou a intermediária completamente aberta. Dessa vez a sorte não ajudou e o competente Martinez, que já vinha organizando quase todas as jogadas, com toda a liberdade do mundo, fez um golaço.
Futebol não pode ser tratado como videogame. É preciso treino, sequência, reconhecer as características dos jogadores, analisar o adversário e ter visão de jogo. Isso é obrigação e não um luxo. A realidade atual nos faz ter esperança que 2012 repita 2011 e o Bahia se livre do rebaixamento mais pela ruindade dos concorrentes, do que por competência própria. É torcer, secar e esperar um pouco de critério e bom senso dos dirigentes e do treinador. Acho que vou baixar Elifoot 98 para tentar entender.
