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Contratações

Por Éder Ferrari

Contratações
Tenho um pensamento de que toda e qualquer contratação é de risco. O jogador pode se machucar; não se adaptar a cidade e ao clube; se separar da mulher e perder o foco; ter algum problema de saúde na família; brigar com os companheiros; ser suspenso por doping ou agressão. Enfim, existem várias circunstâncias que podem levar um atleta a não render. Vejam Kaká no Real Madrid. Ibrahimovic no Barcelona. Luís Fabiano no Porto. Rivaldo no Milan. Alguns, de milhares de exemplos de craques comprovados, que não deram certo. É quase uma ciência, negão! E a ciência usa os erros para confirmar acertos.
 
No entanto, nesses casos citados, as chances de darem certo eram maiores do que a de dar errado. Existem exemplos que o erro está estampado, antes mesmo do anúncio. O que busco aqui é identificar padrões e critérios, a pedido de alguns tricolores. O intuito é catalogar todos os jogadores contratados pelo Bahia após a chegada de Paulo Angioni. Poderia ser desde o início do primeiro mandato de Marcelo Guimarães Filho, a partir de dezembro de 2008, porém era outra forma de trabalho. Achei que não faria sentido colocar uma filosofia já descartada no bolo. Porém, só como uma base, dos contratados antes da chegada de Angioni – 58 no total -, apenas o goleiro Omar segue no grupo. Os outros remanescentes são da base: Vander e Ávine. 
 
Pois bem, verdade seja dita, Paulo Angioni organizou um departamento para lá de amador. Existem méritos e eles são dados, mas os erros engolem os acertos. Contratado em abril de 2010, Angioni trouxe nada menos que 86 jogadores! Em dois anos e três meses, pode se dizer que o gestor tricolor formou três elencos, já que o número ideal gira em torno de 25 a 30 atletas. Se levarmos em conta os que já estavam no clube e os que foram mantidos de uma temporada para outra, a conta fica ainda mais alta. Para um clube que vive chorando miséria, parece, no mínimo, uma incoerência. 
 
A diretoria se vangloria de não pagar luvas. Também tira onda por conseguir dividir salários com os clubes de origem dos jogadores contratados por empréstimo. Para muitos isso é um mérito. Para outros uma esmola. Cada caso é um caso. O Corinthians não se importa em pagar integralmente o salário de Lulinha, desde que ele não apareça no Parque São Jorge. O Bahia vive a política de trazer jogador “que venha ajudar”. Poucos chegam para resolver. E a divisão de base segue sem espaço. Os elencos não são formados para que eles venham a ter chance. Ocorre no acaso, causado por muitas lesões e suspensões. Será que os garotos são tão ruins, a ponto de nem poder “ajudar”?
 
Dos 86 jogadores contratados, apenas 26 eram titulares nos seus antigos clubes. Para ser mais preciso, segue a lista. Tirem as conclusões da procedência e do histórico: Renê (Mirassol), Diego Santos (Olaria), Cacá (Olaria), Aleílson (Olaria), Renan Silva (Olaria), Fernando Wellington (Caxias), Felipe (Palmeiras B), Hélder (Palmeiras B), Murilo (Camaçari), Itacaré (Ipitanga), Pablo (Intermunicipal), Jair (Bahia de Feira), Paulo Miranda (Oeste), Diones (Bahia de Feira), Nikão (Vitória), João Neto (Bahia de Feira), William Matheus (Boca Júnior-SE), Rafael Grampoula (Sergipe), Rafael Donato (Audax), Lucas Fonseca (Mogi Mirim), Alysson (Feirense), Gutierrez (Bolívar), Val (Mogi Mirim), Diego Varejão (Noroeste), Elias (Resende) e Denílson (Audax). De fato, nenhum deles, chegou para ser referência. A maioria serviu apenas para inchar o elenco e tirar a vez da base. Outros, como Elias, Lucas Fonseca e Paulo Miranda eram titulares, mas chegaram com mais de mês sem atuar. Alguns, como Renê, mais de dois meses. 
 
Jogadores que estavam parados também “enriqueceram” a lista. Foram 21 no total: Luisão, Xavier, Edson Barbosa, Bruno Octávio, Leandro Bomfim, Jael, Mendes, Robert, Ricardinho, Carlos Alberto, Danny Morais, Jancarlos (da segunda vez), Diego Jussani, Tressor Moreno, Ramon, Coelho, Jefferson, Neto, Gil Bahia, Caio César e Cláudio Pitbull. Uns foram úteis, outros decisivos, mas a maioria precisou de muito tempo para entrar em forma. Muitos, também, tiveram utilidade curta. Quase sempre, o tricolor precisava deles imediatamente. Ainda há nomes como Neto, Gil Bahia, Jefferson e Caio Cesar que, como diriam os boleiros no auge do clichê, se Deus quiser vão dar certo. Se Deus quiser! 
 
Para fechar a lista, os que não estavam sendo aproveitados nos clubes de origem. Esses sim, em grande maioria, chegaram com status de titulares e solução. Mais uma vez, tirem as conclusões: Dênis (Corinthians, após dispensa do Náutico), Renato (Corinthians), Arílton (Internacional), Jancarlos (Botafogo), Fábio Bahia (Goiás), Morais (Corinthians), Everton Avatar (Internacional), Adriano Michael Jackson (Fluminense), Tiago (Vasco), Marcelo Lomba (Flamengo), Marcos (Cruzeiro), Dodô (Corinthians), Thiego (Grêmio), Titi (Internacional), Rafael Jataí (Atlético Mineiro), Boquita (Corinthians), Fahel (Botafogo, mas rescindiu para assinar com o Bahia), Fabinho (Yokohama FC do Japão), Mosquera (Independiente Medellín), Camacho (Flamengo), Magno (Vasco), Lulinha (Corinthians), Bruno Paulo (Vasco), Pedro Beda (Corinthians), Souza (Corinthians), Jones (Cruzeiro), Reinaldo (Figueirense), Zezinho (Santos), Jobson (Botafogo), Júnior (Ceará), Boiadeiro (Ceará), Gerley (Palmeiras), Reis (Cruzeiro), Kléberson (Flamengo, mas rescindiu para assinar com o Bahia), Morais (Corinthians), Zé Roberto (Internacional, mas rescindiu para assinar com o Bahia), Mancini (Atlético Mineiro), Ciro (Fluminense) e Ryder (Fiorentina). Nesses 37 jogadores, está o maior índice de acerto de Paulo Angioni e Marcelo Guimarães Filho. Muitos realmente deram certo. Outros ajudaram durante algum tempo e ainda têm aqueles que podem vir a ajudar. Ainda assim, o percentual de erro é imenso, para quem trabalha como não cansam de falar, na ponta do lápis. 
 
Renovações como as de Coelho, Júnior e Jones, por exemplo, também são inexplicáveis. Nem vou repetir a situação dos volantes e das laterais. Até vejo boa vontade em acertar, mas é preciso ter mais atitude e desapego. A gratidão não pode ser maior que a razão. Não sei se seria o momento para nova reformulação geral, no entanto é preciso corrigir erros. É pensar nas maiores carências e não dispensar uma carreta e trazer um caminhão. Tem de olhar os destaques da Série B e tentar trazer. Existem inúmeros jogadores babando por uma chance na Primeira Divisão. Arrisco a dizer, que receberiam até menos. 
 
Dudu, Jussandro, Lenine, Anderson Talisca, Fábio e Rafael têm de ser usados. Serão mais úteis que muitos medalhões. Essa é a função inicial da base. Formar jogadores que ajudem e, com tempo e calma, mostrem serem craques ou não. Tem de aproveitar sim! Não é simplesmente achar que vão resolver e sim completar com mais vontade, espírito de luta, amor à camisa e, por que não, talento. Essa energia falta demais! Colocaria Paulinho na lista, mas esse rapaz só se atrapalha. O Bahia não pode ficar esperando sempre por um novo Dodô, um novo Souza. O tempo está passando e jogadores que não agregam nada seguem no grupo e até no time titular. Vai esperar cair para sacudir?