Carlos Alberto
Em um fim de semana que Vitória e Bahia venceram seus jogos e respiraram na tabela das Séries B e A, respectivamente, as questões técnicas, táticas e a realidade atual, seriam um prato cheio para esse artigo. Contudo, outra pauta veio em mente para essa crônica. Resolvi falar sobre um jogador em especial. Contratado para ser a referência tricolor, o meia Carlos Alberto simplesmente não consegue jogar. O que acontece com esse rapaz? Por incrível que pareça, ele tem apenas 26 anos!
Por ter começado muito cedo – com 17 anos já era titular no Fluminense – Carlos Alberto dá a impressão de já ter uns 34 anos. Os milhões de problemas físicos corroboram com isso. Adianto-me em dizer que não o estou acusando de ser ‘gato’, mas apenas preocupado com a visível “fraqueza” do corpo tão cedo. Para os preparadores físicos e os fisiologistas o auge do jogador de futebol é atingido entre os 25 e os 30 anos, mais ou menos. O que se passa com ele? Existe alguma justificativa fisiológica para o talentoso meia ter levado a fama de ‘chinelinho’? Não sou ingênuo nem irresponsável de dizer que alguma vez o chinelo entrou ou não no dedo de propósito, em outros clubes. Agora, no Bahia, eu posso afirmar que não: os problemas foram reais!
O fato é que essa fragilidade, aliada ao azar, tem tirado Carlos Alberto da maioria das partidas. Com um incomodo no púbis, perdeu três jogos – Corinthians, Avaí e Botafogo. Contra o Vasco, tudo bem, foram às imbecis cláusulas contratuais. Frente ao Coritiba – jogou apenas um tempo, visivelmente baqueado – Figueirense, São Paulo e Atlético-GO foi uma virose virada na zorra, quando cuidava do filho que estava debilitado pela doença. Um atleta não poderia estar com a imunidade tão baixa assim. Claro que isso é relativo e todo mundo está sujeito a pegar um vírus, não é uma ranzinze minha, porém o fato é que esse rapaz precisa repensar o jogo e os hábitos. São muitas lesões musculares no histórico. A forma de jogar não é a melhor para o formato do corpo. Dá muito giro e exige demais da musculatura, sendo um cara pesado para a altura apenas mediana.
Mais do que os outros, pela compressão muscular, o trabalho de preparação física com ele tem de ser diferenciado. Demora mais para entrar em forma e se recuperar de lesões. Não vejo outra solução que não seja mudar a característica de jogo, mas de que forma isso seria feito? Mudar de posição? Não sei, no entanto, alguma coisa deve ser feita. Controlar um pouco o temperamento também não faz mal. ‘Ei, Carlos Alberto, esquece o juiz!’. Poderiam gritar em Pituaçu. O fato é que, mais uma vez, CA19, como o próprio abreviou, retorna ao time alimentando a esperança de dar a qualidade que falta ao meio de campo. Contra o forte Internacional, será a primeira chance dele e Ricardinho iniciarem lado a lado uma partida – contra o Coritiba não conta. Agora é só torcer por superação física, principalmente, técnica e tática. #oremos
