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Dedo (2)

Por Éder Ferrari

Dedo (2)
No último artigo citei um pensamento de Tostão, de que bom o treinador é aquele que não atrapalha. Também tentei pontuar a dependência de outros departamentos e da complicada cabeça humana, no caso do ego dos jogadores, com que eles têm de lidar. Quis mostrar que o técnico é importante, mas não o mais importante. Observando o jogo contra o São Paulo, vejo como o mestre Tostão tem razão. Nos dois primeiros jogos no comando tricolor, Caio Júnior foi elogiado e recebeu méritos que não eram dele, por simplesmente não atrapalhar. Taticamente, seguiu o básico que estava feito pelo auxiliar Eduardo Barroca e tentou, naturalmente, conhecer o elenco e ajustar algumas peças. Nada mais natural.
 
No jogo contra o São Paulo, Caio colocou o dedo (lá ele) no time. O esquema 4.4.2 com o meio de campo postado em losango possui uma kriptonita: o 3.5.2 tradicional, com alas de fato e não laterais. Douglas e Bruno Cortês tiveram liberdade total para apoiar e realmente funcionaram como meias abertos pelos lados. Por isso, as duas pontas laterais do losango, Diones e Hélder, foram obrigadas a abrir a intermediária para fazer a cobertura e ajudar Gil Bahia e Gerley (por favor, volte para o Palmeiras!). Aconteceu o que sempre acontece nesses embates. Os armadores paulistas Maicon e Jadson tiveram espaço de sobra para criar. Diones e Hélder se viam obrigados a voltar para fechar o meio e o cobertor curto entrou em cena. 
 
Na volta do intervalo, Caio Júnior tentou consertar, sem que nunca tivesse treinado o time dessa forma, puxando Fahel para ser o terceiro zagueiro, uma espécie de líbero.  A aposta, acredito, era bater ala com ala. Para isso, dentro do “planejamento físico do elenco pela sequência de jogos”, colocou Ávine no lugar de Gerley. Só esqueceu três coisas. Primeiro a condição física de Gil Bahia e Ávine. Os dois, claramente, estão longe de estar com ritmo de jogo em dia. Segundo que Gil mostrou nesses três jogos ser lateral e não ala, o que desequilibra o esquema. Para fechar, manteve Diones e Hélder travados lá atrás. Sem contar que Ávine entrou muito mal! Mesmo com tudo isso, até que equilibrou. Já havia colocado Lulinha no lugar de Júnior para dar mais mobilidade
 
No entanto, novamente pelo planejamento físico do elenco, Caio Júnior tirou o melhor jogador tricolor, Zé Roberto, para colocar um atacante sem menor característica de organizar o jogo, Ciro. Aí entregou de vez qualquer possibilidade de reação. Até entendo a saída de Zé dentro do argumento de poupar para não estourar. Agora, a escolha do substituto foi de um erro infantil! Como se fosse Cartola ou um jogo de vídeo game qualquer, mudou para frente sem critério algum! Já estava nítido que os alas não funcionariam. A substituição simples era à entrada de Magno. Não adianta encher de atacantes, caso não haja articulação. Levou o segundo gol e só não levou mais, pelo momento instável e de mudança do São Paulo. O “dedo” de Caio Júnior só atrapalhou. Que sirva de lição para o treinador. Tostão tem razão!
 
Agora, mesmo com todas as trapalhadas do treinador contra o São Paulo, sempre haverá erros quando os volantes disponíveis forem Fahel, Fabinho, Diones e Hélder. Enquanto Gerley, Júnior, Ciro e Lulinha estiverem como opções e Titi ser intocável e se sustentar por um jogo bom a cada dez, por ser o xerifão. Os laterais não alcançarem ritmo de jogo. Os departamentos médico e físico não conseguirem manter pelo menos 90% do elenco em forma. Temos sempre de dar crédito, acreditar, esperar, porém as críticas construtivas não podem faltar. O Bahia não precisa de desespero, muito menos conformismo. Passou da hora de acordar e resolver os problemas criados por si próprio!