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Alma

Por Éder Ferrari

Alma
Gostei das duas primeiras entrevistas coletivas de Caio Júnior. Realista, quase sem nenhum oba oba, cobrando o que tem de cobrar, sem desespero ou menosprezo. As contratações precisam chegar e ele sabe disso – pediu um atacante e um meia na coletiva. Carências são muitas e, pelo visto, não se deixou levar pelo resultado contra o Palmeiras. Foram palavras sinceras e coerentes. Não existe razão para comemoração e sim apenas um justo, mas vergonhoso alívio. Não era para estar nessa situação. O treinador tem consciência disso e está colocando o nome em jogo por acreditar nisso. O início foi promissor, principalmente pelo time ter deixado de ser um bando de mortos vivos para mostrar espírito de luta. A alma cobrada por Caio na apresentação.
 
Taticamente o posicionamento foi similar ao do primeiro tempo contra o Coritiba. Em forma de losango, o meio de campo ocupou melhor os espaços e deixou o time mais compactado. Esse é um sistema que depende muito dos volantes/meias que jogam nas pontas abertas do losango e dos laterais. O Bahia segue deficiente nesses dois setores. Gil Bahia fez uma estreia razoável e mostrou como um jogador da posição faz a diferença. No desenvolvimento de atacar e defender foi muito superior a Fabinho. Na marcação, ao invés de marcar de longe e centralizar como faz Fabinho, Gil ocupava a ala e impedia cruzamentos com liberdade. No ataque, buscou a linha de fundo, apesar de não ter obtido sucesso nos cruzamentos. Precisamos entender que, muitas vezes, os garotos têm de ser úteis e não craques de cara. No final do primeiro tempo, ficou sem cobertura de Danny Morais e Fabinho e acabou fazendo faltas bobas. Levou o cartão amarelo e ficou nervoso. Normal de uma estreia tão tensa e cercada de expectativas. Merece seguir no time no domingo.
 
Na frente, Zé Roberto fez a diferença. Parece que a suspensão por ter chutado o juiz fez efeito positivamente. Serviu para acordá-lo. Com tantos desfalques, ele precisava assumir a responsabilidade que é dele. De qualidade comprovada, maior salário e mais experiente. Não tinha como se manter tão omisso. Espero que, agora, seja daí para cima. Mais à frente, Ciro cumpriu bem o papel taticamente, de jogar bem aberto pela direita e impedir os avanços do bom lateral Juninho. Porém, faltou desenvoltura, se aproximar de Souza e ser mais presente, chamar a responsabilidade. Dou um desconto por ter sido sacrificado pela função tática. Já Souza provou mais uma vez ser decisivo. Infelizmente, mas justamente, ficará de fora dos próximos quatro jogos por suspensão. O STJD é bipolar e não tem critério algum nos julgamentos. As penas diferentes para o mesmo “crime”. Que sirva de exemplo para não confundir raça com violência e descontrole. Vai fazer falta demais! Só para não deixar passar, Titi voltou a jogar bem. Parecia mais atento e determinado. Que continue assim.
 
De volta ao losango. Fabinho tem de disputar a cabeceira defensiva com Fahel. Não tem recurso técnico, nem velocidade para fazer a ponta aberta pela direita. Kléberson tem de jogar por ali e Hélder pelo outro lado, pelo menos a princípio. Magno entrou nessa função no intervalo. Demorou 20 minutos para entender a função e ficou muito recuado. Culpa, também, das substituições feitas por Felipão, que colocou quatro atacantes, sendo dois bem abertos. Assim que percebeu os espaços deixados na intermediária palmeirense, cresceu. Tem muita capacidade, mas a característica é pensar e agir só quando a bola está nos pés. Precisa melhorar isso e manter sempre o foco. Seria interessante buscar Caio Júnior e pedir orientações sobre o posicionamento. O passe para o segundo gol foi coisa linda. É só a prova que Magno só depende dele para ser útil e, por que não, decisivo. Precisa deixar a omissão, o excesso de preciosismo de lado e querer.
 
Ter largado a lanterna foi importante e crucial para recuperar a confiança. Serão três jogos dificílimos em uma semana – Corinthians, São Paulo e Grêmio. Era o jogo que o Bahia não poderia perder a chance de vencer, entretanto, o que mais me alegrou nesse triunfo contra o Palmeiras, foi a vontade. Os jogadores deram sinais de que finalmente acordaram. Já haviam demonstrado um pouco disso contra o Coritiba. Como costumo dizer, o tricolor não tem time para buscar Libertadores e muito menos o título, mas tem condições de vencer todas as outras 19 equipes do Brasileiro. Para isso, sangue no olho, raça, a alma cobrada por Caio Júnior e o respeito à camisa que veste são fundamentais. Reforços também!