Choque
Falcão tem me decepcionado muito nos últimos dias. Não está sabendo lidar com as dificuldades do momento e, para se defender, tem dado declarações infelizes. A postura é arrogante. O pior é que, para se eximir de qualquer culpa, tem diminuído o clube. Não há a menor necessidade disso. Quem observa com critério, sabe que o treinador tem parte da culpa, mas uma porcentagem menor. Ele não precisa posar de magnânimo, como se estivesse fazendo um favor de estar no Fazendão. Em entrevistas nacionais, o Bahia é sempre o tópico menos importante. Sou contra a demissão, mas é preciso dar um choque de realidade nele. Precisa ter fibra em campo, atitude e, de fato, abraçar a causa tricolor. Chega de oba oba!
Quem também precisa de um choque é todo departamento de futebol. Como um time que joga apenas nos finais de semana consegue ter tantas lesões musculares? O que está acontecendo? Será que não é hora de rever esse trabalho de preparação? Departamentos médico, físico, fisiológico, etc. Respeito muito alguns desses profissionais. Uns, por sinal, têm a competência para lá de comprovada, contudo a situação atual é preocupante. Entendo que cada jogador reage de uma forma ao trabalho, mas é preciso entender as razões dessas inúmeras lesões musculares. O jogador se machuca e o clube informa que volta em duas semanas. Passam-se quatro e o cara segue fora. Uma análise minuciosa sobre o tema precisa ser feita. Não pode ser apenas azar.
Alguns jogadores precisam acordar ou dar um tempo fora da equipe. Não se trata de mandar meio mundo embora ou sair mudando todo o time. Seria desespero e, com os vários desfalques, ficaria ainda mais complicado. Agora é preciso quebrar paradigmas sobre determinados jogadores. Não dá para questionar a importância de Fahel e Titi em 2011. O volante ainda fez gols importantes esse ano, mas o nível técnico de ambos tem sido assustador. Como são raçudos e têm crédito com a galera, as falhas têm sido minimizadas. Não que os companheiros sejam nenhum primor, muito pelo contrário, porém, para muitos torcedores, a culpa do mau desempenho da dupla é dos parceiros. Já ouvi isso: “quando jogou com um cara bom, Paulo Miranda, Titi rendeu”. Não deveria ele ser a referência?
Fahel não pega o Fluminense e o substituto pode ganhar a posição com uma atuação segura. Resta saber apenas quem será o escolhido: Hélder ou Lenine. Fico com o segundo, por ser mais adaptado à posição e, como Falcão não vai usar a base, prefiro Hélder a Gerley na esquerda, apesar de tudo. No caso de Titi, uma barração poderia ser traumática ao elenco. Soaria como um bode expiatório, por ter cometido falha infantil no primeiro gol e perdido uma chance clara contra o Flamengo. Fora os outros erros. Entretanto, ele não é capitão à toa. Tem muita ascendência sobre o grupo e as coisas correriam o risco de ficarem estranhas, mas ninguém pode ser titular independente do que esteja jogando. Tem de ser resolvido com bom senso.
Antes de o juiz inventar aquele pênalti absurdo – também havia errado ao expulsar Luiz Antônio, do Flamengo –, o Bahia tinha o jogo nas mãos e pressionava muito. Parecia ser questão de tempo à virada sair, mas o fator psicológico tirou as forças do time após a penalidade. Taticamente, pelas características do elenco, o sistema utilizado se encaixa melhor. Kléberson, realmente, tem de ser meia e não volante. Agora, prefiro que ele atue centralizado e não aberto pela direita. Uma pena Gabriel ter se machucado logo agora que começava a retomar o nível dos melhores momentos do início da temporada. Espero que Vander seja o substituto. Falcão precisa dar sequência a isso e cessar as invenções em algumas escolhas. É preciso trabalhar, cobrar e ter atitude e parar de lamentar e/ou achar que está tudo dentro do esperado. Não está!
