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Solução sem desespero

Por Éder Ferrari

Solução sem desespero
As pessoas que me conhecem e/ou acompanham meu trabalho sabem o quanto sou a favor da divisão de base. Observam como valorizo e procuro estar sempre por dentro do que acontece na formação. Aliado a isso e ao péssimo momento do time, ultimamente, muitos torcedores e amigos me questionam a razão do não aproveitamento das promessas tricolores. Como não gosto de generalizações prefiro, como não canso de falar, tratar cada caso como um caso. Não é por que José foi lançado com 16 anos, que João terá condições de atuar no profissional com 18. As reações e o amadurecimento físico, técnico, tático e psicológico são diferentes em cada pessoa. Isso é óbvio, porém, no futebol, em um momento de desespero e carência em alguns setores, dificilmente consegue se levar essas coisas em conta. 
 
Critérios são mais do que necessários, sobretudo quando se trabalha com pressão intensa. Entretanto, as coisas estão muito erradas no Bahia. A propalada política de base me parece ser voltada principalmente aos títulos nas competições e à venda das promessas, até mesmo antes de serem úteis ao profissional. Claro que exagerei. Foram poucos casos de negociações – todos em 2012 -, mas a impressão é que o barco virou para esse lado. E as taças rarearam. Tem sido constantemente derrotado pelo Vitória, que aproveita muito mais a base. Ativamente, hoje, apenas Madson e Gabriel são usados no profissional. Ávine é de outra geração: foi lançado no distante ano de 2006. Omar já chegou profissional ao clube. Não foi formado no Fazendão, contudo é um exemplo de como se deve fazer. Mais à frente explico. Lenine e Rafael foram escanteados, mesmo rendendo mais que medalhões. Não tiveram grandes sequências e, muito menos, foram tratados com a paciência dada aos vindos de fora.
 
Citei apenas os que, de fato, estão no profissional. Sobre Omar. Chegou em momento complicado e, por estar ser espaço, fez alguns jogos no Sub-20, mas já treinava com o time de cima. Foi muito bem no início, mas teve um péssimo momento em seguida. Os altos e baixos são naturais. É preciso entender e trabalhar isso. Fizeram esse processo com Omar. Hoje ele é o primeiro reserva e, caso Marcelo Lomba não possa jogar, raros são os torcedores que tremem de medo do substituto. Muitos, mais pela ausência de Lomba do que pela presença de Omar. Esse é o ponto. Não dá para formar um time pensando que os garotos serão titulares. A base tem de ser usada como peça de reposição. Com o tempo, amadurecimento, o cara se prova capaz ou não, mas precisa ter espaço para isso. No Bahia as chances não chegam. Pelo desempenho que teve na base em 2010 e 2011, em qualquer clube, Fábio já teria tido alguns jogos para mostrar algo. No tricolor, o máximo que conseguiu foi sentar no banco sem entrar em campo. 
 
Outro caso que povoa a cabeça dos tricolores no momento é o de Jussandro. Primeiro pelo fato do jogador reserva dele por dois anos hoje ser titular no profissional do Vitória. O Bahia perdeu Mansur ridiculamente na justiça. E, ao invés de tentar recuperá-lo, a diretoria ficou de deboche. Não que seja uma sumidade, mas sem Ávine seria titular tranquilamente desse time de Falcão. No entanto, caso não tivesse trocado de casa, estaria no máximo no Sub-23. Os jogadores da base não precisam ser utilizados apenas se forem craques. Precisam principalmente ser úteis! E aí volto a Jussandro, que penso estar em um nível de futuro mais ou menos semelhante ao de Mansur. Teve uma oportunidade contra o Atlético de Alagoinhas e fez uma partida segura e até certo ponto surpreendente, ousada e eficiente. O adversário era fraco? Sim, mas os outros todos tiveram sequência contra rivais da mesma qualidade e foram piores. Enquanto isso, Jussandro não teve mais nenhuma chance. Eu não via muito futuro nele, mas evoluiu demais nesse ano e meio. 
 
Não é para entregar a seis a Jussandro, mas tem de ser usado. Como já falei, não acho errado improvisar um cara mais experiente em uma necessidade, mas o fazer sem que o garoto seja sequer cogitado, está errado! Ainda mais com o desempenho ruim do “coroa”. A terceira opção em todas as posições tem de ser sempre alguém da base. Sem Madson e Coelho, cabe utilizar Fabinho em alguns jogos, porém dar toda essa sequência sem que o cara renda é falta de visão, perda de tempo. Raylan eu sei que é muito verde, mas Lucas e Gil Bahia poderiam ser testados. Caso não tenham condições, libera os garotos para seguir a vida deles e busca outros em peneiras e observações. Mesma coisa de Fábio. Várias pessoas dentro do clube já me disseram que ele não tem condições de jogar no Bahia. Pois então, senão vai utilizar, empresta o moleque para que ele jogue e prove ter capacidade ou não. 
 
Vejo a base como solução, mas sem o desespero desse momento. Não é para subir todo mundo. Como disse antes, cada caso é um caso. O que se faz necessário é dar vez aos laterais. Será que Lucas, Gil Bahia e Jussandro fariam pior do que Fabinho e Hélder? Será que de Paulinho, Ítalo Melo, Fábio e Anderson Talisca, nenhum deles seria mais útil que Lulinha, Jones, Mancini, Zé Roberto e cia? Nenhum dos quatro garotos está nem perto de estar pronto, a ponto de sequer serem cogitados? Repito: não é chegar e dar a camisa de titular e sim para dar vez, aos poucos. Um jogo aqui outro ali. Aliás, como me disse um seguidor no Twitter, fosse Fábio no lugar de Mancini, com essas atuações sem sal, a maioria da torcida, que também tem culpa no cartório ao ser completamente impaciente com os guris, já estaria dizendo que não presta. Não ache ruim! É uma crítica construtiva. Tem gente que chega cedo e vaia os moleques na preliminar! Isso não existe! Lamente lances ruins e tente apoiar. Confiança na formação é muito importante e ela vem com oportunidades.