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Rumo à liderança

Por Maurício Naiberg

Rumo à liderança
Sem delongas e bastante objetivo: Série B é pauleira, complicadíssima e o que importa são os três pontos. Jogar bonito é um privilégio para poucos nesta competição e o Vitória não se encaixa nisso. Não adianta ficar aqui lamentando porque tomou pressão do Paraná, pois o que mais importava o time de Carpegiani conseguiu: vencer.
 
Infelizmente, alguns pontos negativos devem ser destacados neste jogo. O primeiro deles foi a exibição apagada de Uelliton. Comprometeu em algumas oportunidades, mas tem um crédito grande com a torcida. Prefiro nem falar mais sobre Léo. Ele poderia ter feito dez gols daquele que vou continuar com a minha opinião: não tem a mínima condição de vestir a camisa do Vitória.
 
A equipe de Ricardinho explorou o tempo inteiro os lados direito e esquerdo do rubro-negro, com duas avenidas, principalmente com Mansur, que precisa trabalhar mais a marcação. Por falar no garoto, pode criticá-lo o quanto quiser, mas o cara tem personalidade. Vai pra cima, não tem medo de cara feia ou das vaias da torcida. Erra, porque isso é comum em um menino de 19 anos, contratado para atuar nas categorias de base, e não nos profissionais. 
 
Quem me desapontou novamente foi Tartá. Caiu muito de rendimento, sem explicação. Acho que perder a posição para Eduardo Ramos pode fazer bem para ele. Seu companheiro, Pedro Ken, mais uma vez, foi um monstro. Marcou muito na defesa, segurou os atacantes do adversário, chutou em gol, deu belos passes e é o maestro do time. Joga fácil demais.
 
Agora vou focar em uma questão que está me deixando extremamente irritado: goleiros. Queria entender porque todo gol que o Vitória toma é culpa do goleiro. Não vi nenhuma falha grave de Douglas, que, por sinal, fez um ótimo primeiro tempo.

Constestaram ele no segundo gol. Posso entender, de um lado, mas olhem pelo outro. Bola molhada, campo pesado e a barreira dando uma contribuição muito grande - todos os cinco jogadores pularam na hora do chute de Lúcio Flávio. Não vi ninguém crucificando Uelliton, por fazer uma falta daquela na entrada da grande área, ou Léo, que ficou ao lado da barreira olhando o lance, parado, quando deveria dar o suporte à defesa. 
 
Sabem o que está acontecendo? A torcida do Vitória não frenquenta o estádio – mesmo o time brigando pelas primeiras posições na tabela de classificação – e não sabe o que acontece diariamente. Essa questão de goleiro no clube foi criada pela própria comissão técnica, que não deu confiança a quem deveria e merecia no início do ano: o próprio Douglas, que terminou a segundona do ano passado em ótima fase, além de começar esta temporada da mesma forma.
 
É engraçado como a opinião das pessoas muda, assim, de repente. O cara faz uma partida como fez diante do ABC, salvando tudo, e hoje não presta mais. Sabe porque isso? O torcedor escuta quem não deveria escutar. Vai no embalo dos irresponsáveis. Felizmente, não estou nesse bolo. Tenho cuidado com o que falo e escrevo, e será sempre assim, porque honro o diploma que conquistei. 
 
O mais ridículo nisso tudo são os nomes que aparecem, diariamente, como especulação para a diretoria contratar. Felipe? Deola? Só rindo mesmo. O que Felipe fez pelo Vitória? Saiu daqui como “frangueiro” e hoje, porque joga no Flamengo, presta? Vamos parar com isso, gente. E Deola? Come banco para Bruno, que é um goleiro fraquíssimo. 
 
O sonho dos rubro-negros até algumas semanas atrás era Dida, que está na Portuguesa. Fez uma boa partida em sua estreia e ganhou elogios de todos. A torcida do Vitória ficou daqui dizendo: “Viu aí, porque não contratou?”. Ótimo. Na última semana falhou de forma grosseira na derrota da Lusa para o Atlético-MG. Não presta mais?
 
Mantenho a minha linha de raciocínio de que Douglas é um bom profissional e vai ser destaque desta campanha do Leão na segundona. Podem me cobrar depois. 
 
Mas se a própria torcida dele não der a confiança que ele precisa, quem dará? Os rivais é que não vão fazer isso.