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Apatia

Por Éder Ferrari

Apatia
O que foi aquilo no Botafogo 3x0 Bahia? Como podem deixar algo ser tão humilhante? O futebol é um jogo e você está sempre sujeito aos três resultados: ganhar, perder ou empatar. Você não joga sozinho. Do outro lado tem alguém quase sempre com o mesmo objetivo. Às vezes com um time melhor. Outras pior ou no mesmo nível que você. A imprevisibilidade é um fato para lá de comprovado. Agora, o que não pode acontecer foi o que se viu contra time de Estrela Solitária. Com exceção de Titi, Souza - confundiram com violência e prejudicaram o time – e Fahel ninguém jogou com raça, com o coração. A apatia assustou. Foi um time sem alma, sem forças, sangue no olho. Você pode jogar mal e ser derrotado, mas sem a garra que marca o tricolor, é imperdoável e preocupante!
 
Meu amigo Felipe Santana culpa o péssimo futebol ao esquema com duas linhas de quatro. Meu sogro acha que os novos contratados não querem mais nada com o futebol. Meu primo Cristiano culpa Falcão. Outros tantos culpam a diretoria. Para mim é uma junção de tudo isso. Gosto do esquema tático utilizado, mas é preciso analisar características e condições físicas dos jogadores. Desde que chegou que o treinador não consegue achar alguém que faça a extrema esquerda na segunda linha. Vários foram testados e ninguém foi aprovado. E não será Mancini. Como já havia dito alguns textos atrás, ele não tem mais saúde para isso. Não consegue acompanhar o lateral adversário e a esquerda vira uma avenida. Com Hélder sendo vencido até pelo vento, o negócio ficou feio! 
 
Por sinal, mais uma vez, as laterais foram lastimáveis. Fabinho e Hélder tiveram atuações constrangedoras. Claro e evidente que tem de se levar em conta a improvisação. Não é fácil entrar em um novo setor e conseguir dar conta do recado. Eles, que já são bem contestados como volantes, prejudicam o time nas laterais. Não deveriam estar ali por tanto tempo. Ou contrata ou coloca os meninos da base. Pode até fazer as duas coisas. Com os dois improvisados não dá! No primeiro gol do Botafogo, Hélder marcou como volante e não como lateral esquerdo. Ele deveria estar fechando a segunda trave e não centralizado entre os zagueiros. Deixou o baixinho Cidinho livre para cabecear. Falha infantil de um posicionamento básico. Kléberson também não colaborou, ao ir com o pé mole na marcação do cruzamento. Estava completamente desligado da partida.
 
Fabinho e Hélder foram mal e também têm culpa no cartório, porém a responsabilidade principal é da diretoria. Estava claro para todo mundo que Coelho e Gerley não ajudariam. O caso do primeiro é emblemático. Renovou por amizade e não pelo rendimento. Ávine e Madson não têm reposição. Com o meio de campo apático, a fragilidade dos laterais fica ainda mais exposta. Mancini comandou o jogo mole. Não acertou quase nada. A preocupação é que tem mostrado limitação técnica e não apenas física. Errou passes inacreditáveis e não conseguiu dar prosseguimento a nenhuma jogada. Ele chegou para resolver, entretanto não tem dado nenhuma perspectiva que o fará. O elenco está cheio e sem soluções em curto prazo. Parece esgotado. 
 
Não sei como é Falcão no vestiário. O fato é que não vejo o time incendiado. O treinador também tem essa função, de exigir vontade e o algo a mais. Essa apatia já havia aparecido em outras ocasiões. Falcão fica nervoso, discute com os árbitros e até já foi expulso algumas vezes, mas parece não conseguir passar esse fogo ao time. Para qualquer esquema tático funcionar, os jogadores precisam querer isso, passar por cima das deficiências. E isso é o que mais assusta nesse atual Bahia. É um time mole, apático. Qualquer tentativa de reabilitação passa por superar essa acomodação injustificável. Problemas são muitos e a primeira solução é psicológica.