Pequenez
Como gosta de dizer o narrador Galvão Bueno, o empate com o Vasco foi “um teste para os cardíacos” tricolores. O coração foi machucado pelo excesso de cautela e respeito, que virou medo, pequenez. Não sou maluco e nem estou em nenhum devaneio megalomaníaco, de achar que o Bahia deveria encarar o time vascaíno, infinitamente superior técnica e taticamente, fora o grande momento vivido, de peito aberto. No entanto, se não poderia ser ousado demais no 80, também não dava para ser kamikaze no 8!
Alguns irão me questionar que deu certo ou quase isso, já que o empate foi cedido apenas nos acréscimos dos acréscimos, aos 49m30s do segundo tempo. Contudo, essa não foi à realidade do jogo. O Bahia não anulou o Vasco. O que eu vi foi um time acuado, dando diversas oportunidades para o adversário marcar. Não fosse a noite feliz de Marcelo Lomba e o pé torto dos vascaínos, principalmente de Juninho Pernambucano, com a mira descalibrada de uma forma que nunca havia visto, era goleada na certa! Foram 34 chutes dos donos da casa, contra 5 dos baianos. O resultado não pode mascarar essa realidade.
A postura do time de René Simões foi à mesma dos últimos jogos. A diferença é que pegou um adversário despreocupado com ele. Diferente dos outros rivais até aqui, o Vasco partiu para a pressão e aceitou de bom grado todos os espaços dados. O treinador insistiu em utilizar os dois volantes mais marcadores para fazerem marcação individual. Praticamente não jogaram. Marcone pegou Diego Souza e Fabinho, Éder Luis. Para completar a tentativa de anular a equipe de Ricardo Gomes, Hélder era sombra de Felipe e Lulinha, primeiro marcava Juninho, para depois atacar. Isso não existe! Para jogar, precisa ter a bola, mas como tê-la se o único objetivo é barrar o adversário?
Entendo que a melhor estratégia para o Vasco era tentar anular e buscar os contra-ataques mesmo, mas não da forma que foi feita, dando a intermediária completamente, sem recursos para atacar. O que deixa mais frustrado é que René parece saber como corrigir, mas não o faz. Na metade do segundo tempo, quando colocou Ricardinho no lugar de Hélder, que mais uma vez não fez nada, e avançou um pouco a marcação, o time cresceu muito e criou chances para matar o jogo. Gabriel, finalmente na dele, mostrou o potencial. Claro que levo em conta o cansaço – bater cansa – e o nervosismo vascaíno, pressionados pelas arquibancadas lotadas, porém, a diferença técnica e de experiência é absurda. Já passou da hora de Ricardinho ser titular como terceiro homem.
Pelo que andei apurando e Marcelo Guimarães Filho deixou subentendido no twitter: “Não da pra ser pressionado assim durante todo o jogo! Nosso plantel é bom, digam o q disser! E domingo só tem um resultado. Vencer!”, a última chance de Simões provar que ainda pode recuperar o tempo perdido é contra o Figueirense. Se perder, deve entregar o bigode. Sou contra a troca desenfreada de treinador e René foi prejudicado pelas circunstâncias – contratações atrasadas, contusões, suspensões e cláusulas contratuais -, mas visivelmente se desencontrou. Ele já achou o caminho em alguns jogos e, tomara, reencontre até domingo: a solução é simples! Do contrário...