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Análises de São João

Por Éder Ferrari

Análises de São João
É com saudosismo, tristeza e ressaca que começo a escrever esse artigo. Tudo por conta do maravilhoso São João, semana mais esperada do ano para mim. Comidas, bebidas, amigos, familiares, muita resenha e forró no interior. Esse ano, como nos últimos cinco, aproveitei e muito em Senhor do Bonfim. Ô, terra boa retada, macho! Não troco as comemorações juninas por nada! Nem mesmo por jogos da Eurocopa e do Campeonato Brasileiro. Conto, claro, com o apoio da tecnologia. Pelo celular, durante as festas, através de sites com lance a lance e Twitter, acompanhava o andamento dos jogos. O do Bahia deixei gravando para poder assistir na integra, na segunda-feira pela manhã. Pensem numa ressaca aumentada!
 
Pelos comentários nas redes sociais, fui assistir o replay de Figueirense 1x1 Bahia preocupado. Nada diferente do que eu já imaginava, uma vez que a postura nos outros jogos fora de casa foi terrível. Contra o Figueira foi até um pouco melhor, mas a fragilidade do adversário colaborou com isso. É inadmissível que um time sem jogadas de contra-ataque articuladas – escapadas após bicos para frente sem intenção não contam – marque na maior parte do tempo com todos os jogadores no campo defensivo. Claro que a nulidade ofensiva dos volantes e dos laterais colabora para isso, mas com Jones, Mancini e Elias dava tranquilamente para trabalhar jogadas variadas em velocidade, sem precisar que todos fiquem atrás de a linha da bola. Um time não pode viver de lances isolados, em jogadas individuais. 
 
Entendo e venho falando sempre isso. O Bahia está em um momento de transição técnica e tática, com a retomada das duas linhas de quatro, chegada de reforços e recuperação de lesionados. Mas a bola não para de rolar. Todo ano é a mesma coisa. Formam-se dois times durante a temporada. Não é fácil acertar em todas as contratações, porém na mesma medida errar na maioria não justifica. Nenhum dos jogadores contratados no início da temporada é titular. Nenhum! Claro que lesões atrapalharam, contudo os únicos que tiveram esse prestígio, não jogam mais. Rafael Donato foi embora e Coelho é membro ativo do departamento médico. Foram, caso não esteja enganado, nove chegadas: Coelho, Boiadeiro, Donato, Gerley, Gutierrez, Morais, Jefferson, Zé Roberto e Ciro. Esqueci alguém?
 
Estou remoendo isso para mostrar um dos motivos desse começo ruim no Brasileiro. É complicado dar padrão tático e entrosamento com tantas mudanças, entretanto, Falcão segue errando a postura. Não vi nenhum motivo para o Bahia fazer a marcação tão atrás. Não achei que ganhou um ponto e sim que perdeu dois contra o Figueirense. Com um pouco mais de atitude de jogo, teria vencido. Claro que é subjetivo e fácil falar isso, mas são fatos que se repetem partida após partida. O treinador, mais uma vez, terá uma semana inteira para preparar o time. O jogo com o Inter é só no domingo. Na rodada seguinte ocorrerá a mesma coisa. É a hora de encaixar a equipe de vez, com ou sem os reforços. 
 
Por falar nas novidades, não teria trazido Mancini. Temo que seja um novo Zé Roberto na questão do baixo rendimento, porém, pelo menos, vinha em atividade, treinando e jogando no Atlético Mineiro. Claro que cada caso é um caso e, por isso, tenho esperança de estar errado, mas não o vejo atuando como o meia pela esquerda na segunda linha de quatro. Não aparenta ter o vigor físico para isso. O vejo mais como o segundo atacante, ao lado de Souza. Fez uma estreia abaixo das expectativas, mas sofreu um pênalti claro não marcado. Vamos aguardar! Penso diferente sobre Kléberson. Acompanhei quatro jogos do Flamengo com ele sendo titular e, em todos, foi o melhor homem do meio de campo no time de Joel Santana. Apesar da idade (33 anos), acredito ter muito lenha para queimar. Passa a impressão de ser um cara sério e dedicado. Pode e deve ser uma peça importante. Tomara que dê certo! Toda contratação é uma aposta, mas algumas são mais certeiras.