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Bipolar

Por Éder Ferrari

  Bipolar
Nesse momento de transição, de reestruturação do elenco e da maneira de jogar, o importante é vencer. Sair da zona do rebaixamento deu e dará tranquilidade para que o desespero não atrapalhe ainda mais esse processo complicado. Por sinal, essa ação tem sido atrasada, lenta. Não era para estar assim. A agilidade no Bahia parece servir apenas na hora de atacar quem busca transparência e crescimento com críticas construtivas. Queria poder falar o que eu sei sobre as últimas denúncias, levantadas com embasamento pelo jornal A Tarde, mas o jornalismo honesto requer provas. Daqui de Juazeiro, não tenho como busca-las. A pauta está em boas mãos e espero que o poder não sobreponha à verdade. Tem muita coisa errada!
 
Pois bem, vamos falar do time. O Bahia nos últimos jogos acrescentou uma característica bipolar. Quando joga fora de casa, entra para se defender e não busca ameaçar enquanto o zero não sai do placar. Quando a água fura a pedra, muda completamente a postura e passa a atacar. Até chega bem e leva perigo. Às vezes consegue outras não. Em casa o inverso aconteceu contra o Sport. O início foi promissor. Os zagueiros não ficaram tão recuados e, com duas linhas de quatro, mordeu a saída de bola pernambucana e abriu o marcador. Poderia ter feito mais, não fosse à má pontaria. Entretanto, inexplicavelmente, abandonou a postura inicial e voltou a marcar atrás da linha da bola.
 
Com Titi e Danny Morais encostados em Marcelo Lomba, os volantes foram obrigados a recuar. Como os dois meias, Magno e Jones, jogavam nas extremas, afastados dos volantes, a intermediária ficava livre para os jogadores do Sport criarem. Falha recorrente. Adicione a isso os seguidos erros de passe e, em uma péssima partida, acabou dominado na maior parte do tempo. Se a parte técnica não ajuda, a postura tem de levantar. Pelo menos mostrou que Falcão quer retomar o esquema da chegada. Gostei da entrada de Elias. Ao lado de Júnior, finalmente fez o time voltar a ter penetração na área. Dentro das limitações fez uma boa estreia. 

Não teve apenas esse lado bom em um jogo muito ruim. É visível o crescimento jogo a jogo de Ávine. Ainda está longe do que pode render, mas já faz bem mais do que Gerley e William Matheus (foi para o Vasco). Fabinho, com toda a dificuldade, depois de ter ido mal contra o Vasco, fez uma boa partida. Os dois conseguiram desafogar a equipe em momentos tensos. Jones mostrou que pode ser útil ao grupo, mas nada além disso. Dedicação não falta, apesar de tudo. Os volantes recuaram demais, mas não falharam tanto nas coberturas. Precisam melhorar e muito o passe e puxar os zagueiros para fora da área. Magno precisa acordar. Depois de tentar e errar uma jogada de letra sem sentido, sumiu do jogo. Contra o Sport, sem dúvida, era o mais talentoso em campo, mas segue sem aproveitar o dom. Mais uma vez digo: precisa deixar de querer ser Ronaldinho Gaúcho para ser Magno. Vai crescer muito quando despertar para isso. Vander vai na mesma linha. Por isso não conseguem se firmar.
 
Diferente de outras oportunidades, Falcão conseguiu fazer alterações táticas sem precisar mudar os jogadores. Tentou organizar o meio com Hélder e Vander, no entanto, pouco mudou e ainda levou o empate. Precisando partir para cima, inverteu Hélder com Ávine e deixou o time mais solto. Atitudes como essa são necessárias. Quebra o gelo do adversário. Agora Falcão terá mais uma semana para se preparar. Espero que tenha aprendido a lição da partida contra o Atlético Mineiro. Claro que não pode encarar o Figueirense de peito aberto, mas a estratégia tem de ser outra. Se ficar esperando atrás da linha da bola correrá um risco ainda maior. Jogo complicado, mas que dá para vencer. O Figueira tem um ataque rápido e habilidoso, mas deixa espaços nas laterais. Tudo vai depender da postura que o tricolor vai entrar. Espero que não volte a confundir respeito com medo.