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Inferioridade

Por Éder Ferrari

Inferioridade
Para ser sincero, minha expectativa para Bahia x Vasco era de que o resultado fosse mais acachapante. Fui para esse jogo com o pensamento de que, pelo menos, o time mostrasse alguma evolução técnica e tática. Para vencer, teria de se superar na raça, no espírito, na determinação e aproveitar falhas defensivas vascaínas e/ou trabalhar a velocidade dos homens de frente com algum raciocínio. A consistência do meio de campo dos cariocas é muito superior. A bola fica no chão! Nada é mais comum no futebol, do que um time ruim vencer um adversário bem melhor. Entretanto, para isso acontecer, é preciso que os jogadores se superem e mantenham a cabeça fria. Não aconteceu.
 
A superioridade técnica e tática do Vasco sobre o Bahia é muito grande. Isso não quer dizer que você não tem chances ou nem precisa jogar. Agora, também, lhe obriga a ficar mais ligado do que nunca. Por exemplo, jamais, tendo do outro lado cobradores de falta como Juninho Pernambucano, Felipe e Felipe Bastos, pode se fazer uma infração tão boba e sem motivo como a cometida por Titi. Nervosismo puro! Aquela velha história de confundir raça, com violência e precipitação. É como se você, feio e liso, fosse a uma festa disputar a maior gata do ambiente com um bonitão rico e bom de papo. Ao invés de tentar afastá-lo da menina de algum jeito, você vai apresenta os dois e ainda sai para buscar bebida na hora. Quando voltar, já era!
 
Ainda procuro uma justificativa para Falcão ter escalado desde o início Diego Varejão, Lulinha e Jones, pela segunda vez seguida. E nem sou daqueles que acho o último o ser mais desprezível do elenco. Tem piores, o que não faz dele uma opção razoável para disputar um Campeonato Brasileiro. A pergunta que mais ouvi dos torcedores foi: com esses três, quem vai fazer gol? Realmente, finalização não é o forte do trio. Tentando ver com a cabeça do treinador, vem em mente algumas razões para a utilização desses jogadores. Primeiro, por que os outros já foram testados e não resolveram. O técnico precisa buscar alternativas no elenco enquanto não chegam reforços para qualificar. Segundo, a aposta na velocidade, por ter virado um time de contra-ataque, com laterais travados e sem qualidade no apoio – Ávine está visivelmente fora de ritmo. Ainda vão demorar uns dois, três jogos para voltar ao normal. Se não entra na área mesmo, para que vai utilizar um centroavante? Não concordo!
 
De qualquer maneira, que esse jogo sirva de lição pela atitude de buscar o gol, como no segundo tempo. Contra o Atlético Mineiro foi à mesma coisa. Só buscou após sair atrás no marcador. Não dá para entrar com medo sempre que pegar um time superior. Essa postura ultradefensiva precisa acabar, principalmente se o contra-ataque não entra. Não dá para jogar sem cérebro no meio de campo. Correria sem estratégia é como um carro sem freio. Espero, também, que Falcão veja com bons olhos a saída de Lulinha. São meses sendo quase sempre um dos menos produtivos em campo e a posição de titular nunca sequer é questionada. Titi e Fahel precisam voltar a jogar ou deixar o time. Estão jogando com o nome e pela ascendência que têm no grupo. Gabriel não pode ficar tão isolado e longe do gol. Tem de treinar chutes e ter mais coragem. Contratar não é fácil e, justamente por isso, não se pode dar ao luxo de errar tanto.
 
Vendas
 
Essa é a dinâmica futurista da diretoria? Vender a maior promessa sem usá-la? Onde será aplicado esse recurso? Salários? Na própria base? No novo CT? Para contratar? Sei que administrar um clube como o Bahia não é fácil, mas é preciso ter critérios. Sou absolutamente contra vender jogadores das divisões de base, sem que antes eles deem retorno dentro de campo, no profissional. Ainda mais quando se trata de um garoto tão promissor como Filipe. Pior ainda é escutar algumas das justificativas. A pior delas é a que diz mais ou menos assim, utilizando exemplos do passado. “O Bahia não vendeu Marcone e hoje ele está aí, sem futuro.” Se o pensamento for esse, é melhor fechar a divisão de base ou virar um Corinthians de Alagoas da vida, que vive apenas para vender jogadores! Cada caso é um caso! Sem dinheiro, é preciso saber usar a base para fortalecer o time. Filipe, tranquilamente, poderia estar na vaga de Diones ou Fahel, mesmo com apenas 18 anos. Agora é cobrar que isso não vire uma praxe! Outra coisa que me incomoda são as porcentagens nas vendas. Por que o Bahia tinha apenas 50%? Como se chegou a essa porcentagem? Vendeu os outros 50% antes? Quem o colocou no tricolor? Quem eram os donos da outra metade dos direitos do rapaz? Não vale dizer que são empresários. “Empresários” são muitos! Têm de, sempre, dar os nomes aos bois, para sabermos quem é quem. Desse jeito, fica parecendo ser apenas um grupo sempre.