Contratações
Sabe aquelas coisas de tão simples que são se tornam bem complicadas? Pois é, no futebol, onde esse conceito reina em quase tudo, fazer contratações é uma das principais delas. Às vezes contratar um grande nome em atividade e alto nível, é mais fácil do que algum desconhecido, em busca de espaço. Parece conversa mole, né? Mas não o é! Por isso, muitas vezes, não reclamo – tanto - de demora ou quando não dá certo. Já disse isso, mas não custa repetir: qualquer contratação é uma aposta, um risco. Só precisa ser bem calculado e amarrado para preservar o clube.
Existem milhões de exemplos de jogadores em idade brocadora e com motivação de sobra, que não renderam absolutamente nada quando mudam de clube. Ibrahimovic não deu certo no Barcelona. Kaká virou uma sombra no Real Madrid. Diego Fórlan não viu a cor da bola na Inter de Milão. Em nossa realidade, Carlos Alberto passeou pelo Fazendão. Várias são as questões que levam um cara a não render. Lesões, adaptação, esquema tático, relacionamento com companheiros e comandantes, etc. Por isso, na hora de contratar, é preciso ter muito critério. Tem de se analisar todas as nuances. Como anda o sujeito fisicamente, tecnicamente e psicologicamente. Se deixar levar pelo oba oba da grife quase nunca é bom.
Em contrapartida, às vezes, quem chega sob muita desconfiança, resolve. Souza era a típica contratação de alto risco e que, apesar das lesões, deu certo. Marcelo Lomba era o quarto goleiro do Flamengo e virou ídolo. Ninguém foi mais decisivo que ele nas finais do Baiano. Nem mesmo Gabriel, que participou dos três gols na final. Paulo Miranda, Rafael Donato, Hélder, Adriano Michael Jackson, Jael (da primeira vez), Fábio Bahia e muitos outros, dentro da realidade tricolor, chegaram com pouco ou quase sem nenhum cartaz e deram conta do recado. Uns mais, mas todos foram importantes e compensaram o risco.
Por isso que, apesar da desconfiança, sou a favor de contratações como as de Lucas Fonseca, Val e Diego. Não conheço nenhum dos três, mas tiveram provavelmente seus nomes descobertos pelo DADE (Departamento de Analise de Desempenho de Atletas). Vale acreditar, porém, em uma competição como o Brasileiro, é preciso buscar jogadores reconhecidamente diferenciados. Se dará certo ou não é consequência das circunstâncias, mas é inegável a necessidade. Não falo de medalhões e sim de caras que ainda estejam motivados para buscar conquistas na carreira, como aconteceu com Morais e Jael, em 2010. Encorparam o time e deram outra cara.
A necessidade do clube me faz ficar ansioso por notícias, como quase todo comentarista e torcedor. Hugo, um ótimo jogador, esteve ou está em pauta. Tecnicamente tenho pouco a questionar, contudo tenho os dois pés atrás com os experientes que voltam do Catar. O futebol lá é praticamente amador. O ritmo de treinamento não chega a 50% do brasileiro. Os atletas, com exceção dos estrangeiros, são de um nível técnico muito baixo. Adicionado a isso, os bolsos cheios de petrodólares, a zona de conforto da reta final da carreira, a idade (31) e o risco de lesões musculares, preocupam. Resta saber como ele estava lá e se adicionou essas coisas. Agiu como Juninho Pernambucano e Emerson Sheik, que mantiveram intensidade nos treinos, ou foi relaxado como a maioria? Caso esteja bem e o custo não seja muito alto, vale a pena esse risco.
Fiquei sabendo de outros dois nomes. Entendam que existe negociação e não que já estão contratados. Pode dar certo ou não. Um está na boca do povo há alguns dias, mas tratativas de fato têm mais ou menos uma semana. O atacante Marcos Aurélio, do Internacional, interessa e pode sim ser contratado. Entretanto, pelas ausências no elenco do Inter atualmente – Damião e Oscar na Seleção; Jô dispensado; D’Alessandro machucado -, ele tem sido utilizado. Se vier, deve demorar algumas rodadas para chegar. O outro nome é o do argentino Alejandro Martinuccio, de 24 anos. O meia atacante, grande destaque do Peñarol na Libertadores de 2011, pertence ao Fluminense, mas estava emprestado ao Villarreal, da Espanha. Não é uma contratação fácil. O Cruzeiro também está interessado e acredito que o tricolor carioca não deverá liberá-lo sem contrapartida. Seja ela financeira ou de troca de jogadores. É esperar e, para mim, torcer que contratem os dois. Dariam, teoricamente, outra cara ao elenco e elevariam o nível do time. Essa é a mescla necessária. Só nos resta esperar. #oremos
