Questão de ótica
Se o Bahia for olhado sob a visão de um bicampeão brasileiro, que no passado fazia chover aqui em Salvador e jogava duro lá fora, que tem uma das torcidas mais fiéis e fantásticas do país, dá para reclamar vitórias contra Santos, Grêmio e São Paulo.
Mas se o cidadão parte para uma análise sensata, colocando sobre a mesa da verdade que o Tricolor é hoje um time que apenas começa a superar uma forte crise técnica, sem recursos para contratar os principais jogadores do país, tendo que se contentar com empréstimos de times sulistas, muitas vezes apelando para dividir salários desses reforços, aí não dá para tanta reclamação.
Não acho que o Bahia, pelo grupo de jogadores que possui, tenha dado vexame contra o São Paulo neste domingo. Jogou quanto pode, só que o tricolor paulista, com muito mais recursos técnicos, ganhou o jogo, apertado, administrando bem a ausência de alguns titulares. O Bahia também teve os seus desfalques, principalmente o menino Gabriel, que fez uma falta danada.
Já disse que o maior problema do Bahia é a superlativação, elevando-o a um grau acima de suas reais possibilidade, que pode ganhar do Santos em qualquer lugar, que é time para encarar o Fluminense completo, o Vasco, o Corinthians, o Inter e o Flamengo, que até poderia decidir o Mundial com o Barcelona. Dito isso pelos torcedores mais folclóricos, tudo bem, mas o que não pode é a diretoria ou os adeptos de participação efetiva deixar escapar esse desregrado sentimento.
O Bahia precisa fazer uma pausa para meditação: ou valoriza a divisão de base, dando reais chances aos seus principais talentos, contratando de três a cinco grandes jogadores para dar o ponto no time, ou vai ficar ainda por muito tempo sofismando uma grandeza que o tempo deteriorou.
Não acho que estes dois resultados do início de Brasileiro (0x0 Santos e 0x1 São Paulo), tenham sido o fim de tudo. Mas é necessário não ficar chorando sobre o leite derramado, sacudir a poeira, reorganizar o planejamento de reforços e buscar alento nas 36 rodadas que ainda restam.
Porque até agora, o Bahia não fez nem mais nem menos do que podia. Tem setores muito frágeis, alguns dos seus mais importantes jogadores no departamento médico, um grupo razoável e em condições apenas de lutar para não cair de divisão.
