Indecentão
Eu devo ser muito ingênuo! Até o dia em que foi anunciado o estádio do Corinthians (???!) como o local de abertura da Copa do Mundo de 2014, acreditava ser apenas mais um devaneio. Por que vejam bem. Em uma cidade que conta com Morumbi, Pacaembu, Palestra Itália (em reformulação em estágio avançado) e Canindé, além da arrumada Arena Barueri na região metropolitana, pra que miséria vão gastar fortunas em uma nova praça esportiva e toda a mobilidade urbana que ela acarreta? A resposta é meio óbvia...
Alguém pode responder dizendo que o estádio é do Corinthians, mas quanto os corintianos vão tirar do próprio bolso? O prefeito Gilberto Kassab, e os vereadores deram a um clube privado incentivos fiscais de R$ 420 milhões em cima do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), para a construção do já apelidado “Indecentão”. Isso sem falar em “pechinchas” de R$ 50 milhões, que o projeto autoriza a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho a permitir como crédito “destinado à cobertura das despesas necessárias à emissão dos CIDs (certificados de incentivo de desenvolvimento)”. O que a prefeitura receberá em troco? Isso sem falar na “boa vontade” da empreiteira Odebrecht em executar as obras, após intervenção do ex-presidente Lula. Novamente pergunto: a troco de quê?
A desculpa mais usada para justificar essa farra do boi chamada Itaquerão vem da FIFA. A entidade, em arroubos megalomaníacos convenientes, criou o utópico e indecente “padrão FIFA” para as arenas. Em cima desta imbecilidade, tiraram o Morumbi de cena afirmando que o estádio jamais atingiria esse modelo “perfeito”. Tudo conversa para brasileiro desligado dormir. A velha disputa de poder. O São Paulo é brigado com a CBF, portanto, carta fora do baralho. Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, virou braço direito de Ricardo Teixeira. Inclusive foi chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul. É de dar nojo! Isso sem falar nos, trazendo para a fauna nacional e sem perder o trocadilho, das “Antas Brancas” que ficarão sem utilidade após a Copa, como os estádios de Brasília, Cuiabá e Manaus.
Alguém por ai tem ouvido falar em obras de mobilidade urbana? Fora a Fonte Nova – essa sim, apesar de muitos questionamentos em cima do orçamento da obra, está sendo corretamente reformulada -, já mexeram algum tijolo em Salvador? A passarela de Pituaçu até hoje está no chão. E o metrô? Alguém ai acredita nessa conversa de transporte de massa na Paralela? Com tudo isso, penso que os baianos/brasileiros são muito religiosos. É admirável como sempre dão a outra face. Me incluo nisso. É uma pena que a Copa do Mundo esteja sendo conduzida desta forma. Sempre foi um sonho ver um Mundial no quintal de casa, mas o preço está sendo muito alto. No entanto, fiquem tranqüilos, que ainda tem pela frente Copa das Confederações, Copa América e Olimpíadas em um intervalo de quatro anos, entre 2013 e 2016. É apenas o início...