Meio de campo
Na composição de Samuel Rosa e Nando Reis, que virou um dos maiores sucessos do Skank, “É uma partida de futebol”, um trecho, para mim, é o mais importante: “o meio de campo é o lugar dos craques, que vão levando o time todo ao ataque”. O coração de uma equipe, que faz a ‘sístole e a diástole’ do funcionamento tático, é o meio de campo. E é ai que o Bahia tem pecado demais nos últimos jogos. É ali que o tricolor se alargou e perdeu toda a compactação do início da “Era Falcão”. O que aconteceu?
O antes melhor ataque do Brasil - em números – viveu um jejum terrível. Marcou apenas um gol em cinco jogos, antes dos 2x0 na Portuguesa. A contusão de Souza e a queda de rendimento de Gabriel contribuíram muito para isso. Por sinal, o garoto tem estado estranho. Tem reclamado excessivamente da arbitragem e adquiriu um preciosismo desnecessário. Disposição sobra, mas ele precisa se acalmar e focar em não perder a objetividade, que tanto lhe garante o sucesso até aqui na temporada. O bom andamento tricolor passa por esses dois. São “os caras” do time.
Para Gabriel e Souza voltarem a render, além da questão física, Falcão precisa definir o que quer. Não há tempo suficiente de treinamento, nem qualidade técnica e até noção tática dos jogadores, para o esquema e as peças serem mudadas todo jogo. No início, o treinador adotou as duas linhas de quatro com marcação avançada. Com dificuldade de encaixar um meia na extrema esquerda da segunda linha, aos poucos, Falcão foi aderindo modista esquema com três meias. Porém, junto com ele, veio à mudança de postura. Os zagueiros recuaram e, com eles, a marcação. Piorou!
O time passou a marcar atrás da linha da bola e apostar nos contra-ataques. Isso não é ruim. É apenas outra opção. Essa escolha fortalece a defesa, mas, muitas vezes, deixa o centroavante isolado, como aconteceu com Júnior contra a Portuguesa, e o time previsível. Acredito que Falcão esteja buscando um híbrido entre os dois sistemas. Acontece que só vai conseguir quando definir o meio de campo. As lesões atrapalham. Um dia joga Magno. No outro Morais. Em seguida Hélder. Zé Roberto já foi testado. Com os volantes a rotatividade é ainda maior. Por mais que todos saibam as funções, é preciso entrosar para compactar. Os resultados não podem esconder isso.
Isso tudo é uma questão de trabalho e tempo para se resolver. É natural. Diferente disso é a irritante displicência, aliada ao preciosismo. Até Titi quis fazer gol de cobertura. Não sou contra os jogadores mostrarem qualidade técnica em lances de efeito, mas é preciso saber separar as coisas. Não é de hoje que o Bahia tem jogado como se fosse resolver o jogo qualquer hora, de acordo com a vontade. Às vezes acontece, entretanto isso nunca é bom, ainda mais em momentos decisivos como os atuais. Tem muita coisa em jogo.
Lista de sócios
Um torcedor me mandou um email com a seguinte pergunta: “Não te vi falar nada sobre o Bahia ter divulgado a lista de sócios. Você não enchia o saco cobrando isso o tempo todo? Mudou o quê? O Bahia ficou rico com isso? Você tem de ser PARCIAL e dar os PARABÉNS ao Bahia!”. Prontamente respondi: “Amigo, eu preciso ser IMPARCIAL e não o contrário. Também não tenho de parabenizar por isso e sim agradecer por finalmente deixarem o ego de lado. Essa lista foi divulgada pela atual diretoria com mais de três anos de atraso. Prometeu na campanha da primeira eleição de Marcelo Guimarães Filho, no final de 2008. Tivesse feito como havia prometido, não teríamos tanta confusão, troca de liminares e o clube não teria rasgado dinheiro sem um plano de sócios digno. Esse é só o início – cobrado por sócios na justiça – de um processo que pode mudar a história do clube. Tenha fé e seguiremos cobrando!”.
Não é mau humor da minha parte e sim chateação. O meu pensamento era encontrar o presidente e falar. “Pô, meu velho, até que enfim, hein? Viu que não doeu? Olha o tanto de estresse que você poderia ter evitado se tivesse feito isso desde o início? Aproveita a deixa e o bom momento e muda logo o estatuto. Todo mundo, inclusive você, só tem a ganhar. Vamo que vamo!”. Estou errado?
