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Critérios

O que Lúcio Flávio, Souza, Edu, Fabinho, Léo Fortunato, Ricardinho, Zé Luis, Reinaldo, Eduardo Neto, Júnior, Pedrão (já partiu), Tressor Moreno, entre outros, têm em comum além de jogarem no Bahia e no Vitória? Todos vinham de temporadas ruins e com visível decréscimo técnico e físico. Por que os dois rivais baianos seguem apostando em antigas estrelas que os clubes do eixo sul/sudeste já não fazem mais questão? E olhe que falei apenas de jogadores contratados esse ano e ainda deixei uns de fora.



Começo a responder o questionamento, reconhecendo a dificuldade do inflacionado mercado da bola. É muita gente disputando os jogadores em evidência. A concorrência não é só interna, como externa, de países como Ucrânia, Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Catar, Rússia e Portugal. Isso sem falar nos grandes centros, como Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha. Contratar um cara em destaque é tão complicado como conseguir conquistar uma menina em uma festa dez pra um (uma dezena de homens para cada mulher). Com muitas opções, o procurado sempre acha que pode arranjar coisa melhor.



Abri esse parêntese acima para mostrar apenas uma das dificuldades. A outra é a falta de prestígio dos clubes baianos. A vitrine há muito está com o vidro trincado. Entendo tudo isso e não estou aqui para dizer que faria melhor, mas minha função é observar e analisar os fatos. Essas são as barreiras que, de certa forma, transcendem a competência. Será que existe um critério definido na dupla Ba-Vi para contratar? Receio que não. Todos esses jogadores citados chegaram pelo que foram e não pelo que são atualmente. Ai entra como argumento aquela história, coerente e correta, de que toda contratação é um risco. Porém, para que arriscar tanto? Se você contratou Edu, o último nome que deve pensar é Lúcio Flávio. Um meia que desde 2008 não atua bem. Dinâmica e agilidade, não fazem mais parte do repertório.  Será que agüenta ou terá vontade de encarar a vera uma Série B? Tomara que sim! O futebol é apaixonante por esse tipo de surpresa.



Não tenho preconceito com idade e sim com rendimento. Por exemplo, achei uma ótima contratação a de Geraldo. É bem mais velho que Lúcio Flávio, mas foi decisivo em 2010 e só deixou de ser referência dentro de campo no Ceará esse ano de uns dois meses pra cá, pelos critérios de Vagner Mancini. Utilizando o velho clichê, ele cairá como uma luva no meio de campo rubro-negro. Acredito ser a peça que faltava. Geovanni ficará mais a vontade para jogar da forma que sempre jogou: no ataque! Contudo, para chegar a um Geraldo, trouxeram vários que, antes de assinar, estava na cara que vinham apenas seguir aproveitando feitos do passado para manter a carreira. Até Geninho se encaixa nisso. Às vezes dá certo, como Zé Luiz, mas a maioria dá errado. Lembram de Kléber Pereira?



O que fazer então, se o mercado é tão pesado? Ter visão e ousadia! Um Carlos Alberto vale o risco, mas, com Júnior e Souza, um Reinaldo não. Dos três, bastava um e olhe lá. Algumas contratações provaram que dá para buscar jogadores de qualidade fora deste contexto. Paulo Miranda e Diones são exemplos disso. Contudo, são a minoria em um universo de medalhões. O Bahia saiu de 8 – uma quantidade exagerada de guri suspeito no início do ano – para 80 – veteranos em franca descendência. Alguns com tudo a provar e outros sem mais vontade provar nada. Dava para ter mesclado mais, principalmente no ataque. A diretoria tricolor curte muito um oba oba.
 


Apesar de tudo isso e dos últimos resultados negativos, Bahia e Vitória parecem caminhar para atingir os objetivos. Na hora de espremer a laranja, acabaram formando bons times, cada um na sua, com uma ou outra peça razoável de reposição. No entanto, o preço não precisava ser tão alto se tivessem critério. O tricolor abusou e trouxe nada mais nada menos que 35. Já o rubro-negro, um pouco mais comedido, mas abusivo da mesma forma, trouxe 28. Quanto essa falta de critério custou aos cofres e ao rendimento em campo dos dois? Acredito que entra na conta impaciência, pressão da torcida e imprensa, tentativa de mostrar serviço – uma contratação quase sempre serve de extintor -, parcerias estranhas com empresários e empolgação com nomes que hoje são apenas nomes. Será que aprenderam? Duvido!
 


Segue a lista de contratações de Bahia e Vitória. Por mais que eu tenha feito uma pesquisa criteriosa, algum nome menos contado pode ter passado despercebido. Não percam as contas!
 


BAHIA
Goleiros - Tiago, Jair e Marcelo Lomba;
Zagueiros – Thiego, Paulo Miranda, Titi, Danny Morais e Diego Jussani
Laterais – Jancarlos, Marcos e Dodô
Volantes – Fahel, Fabinho, Boquita, Diones, Mosquera e Rafael Jataí
Meias – Camacho, Ramon, Tressor Moreno, Ricardinho, Carlos Alberto, Lulinha, Zezinho e Magno
Atacantes – Robert, Jones, Souza, Júnior, Reinaldo, Jobson, João Neto, Nikão, Bruno Paulo e Pedro Beda


VITÓRIA


Goleiros – Fernando, Douglas e Felipe Alves
Zagueiros – Alison, Maurício e Léo Fortunato
Laterais – Fernandinho, Ernani, Eduardo e Chiquinho
Volantes - Rodrigo Mancha, Zé Luiz e Jérson
Meias – Xuxa, Lúcio Flávio, Geraldo, Renan Silva, Lucas Nánia, Vander e Vitor Saba
Atacantes – Marquinhos, Pedrão, Geovanni, Rildo, Pablo Pereira, Marcelo, Edu e Nikão