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Quase

Por Éder Ferrari

Quase
Poucas coisas conseguem ser mais emocionantes do que o futebol. Em fração de segundos, um fracasso retumbante, com ares de humilhação, virou um triunfo histórico a ponto de derramar lágrimas de muitos torcedores. Qual tricolor imaginaria essa situação na semifinal contra o Conquista? Acredito que os próprios jogadores se surpreenderam, já que na primeira partida foi nítido o jogo preguiçoso. Subestimaram o bode e, no futebol, fica claro que esse nunca é um bom caminho. Entretanto, há males que vêm para o bem. A vibração levantada pelo gol de Rafael Donato fará com que, teoricamente, o Bahia entre mais forte na final contra o Vitória. Uma goleada talvez acomodasse e não trouxesse essa força que pode fazer a diferença em uma decisão. 
 
Contudo, é preciso apontar as falhas. O Bahia perdeu todo o brilho nos últimos jogos. A equipe está espaçada, previsível e, por mais incrível que possa parecer, em certos momentos, se mostra desentrosada. Articulações ofensivas elaboradas e variadas deixaram de ser uma constante para ser algo isolado. O time virou o rei do chuveirinho. É uma grande arma, quando se tem caras bons no jogo aéreo, como Rafael Donato e Souza, mas não pode ser a única. O grande problema tem sido a falta de compactação. Não é disco arranhado. É preciso mudar a postura e agrupar o time. Chegou a hora, também, de repetir o time. Falcão demonstra ter confiança apenas em Fahel entre todos os volantes. Jogo sim, jogo não, a dupla é mudada mesmo sem obrigação por lesão ou suspensão. 
 
O mais engraçado nessa troca constante, pelo menos para mim, é que Fahel tem rendido menos entre todos os volantes. E olhe que nenhum deles enche os olhos. Porém, para tentar compactar e se organizar melhor, chegou a hora de manter uma dupla. Pode ser qualquer uma. Eu ficaria com Lenine e Hélder, mas não vejo ser nenhum absurdo em qualquer outra. Quer dizer, seria com Fahel e Fabinho. Outra coisa é manter Morais e Gabriel. O time fica mais equilibrado e, com uma semana livre para treinar, as coisas podem ser mais encaixadas. Morais estará em melhor forma domingo. Aliás, errou muitos passes contra o Conquista, mas dá outra cara ao meio de campo. A falta de movimentação dos companheiros é um colaborador para as falhas no toque de bola, porém não justifica e precisa trabalhar isso. 
 
Não consigo entender o motivo de Falcão ter colocado Coelho como titular e, muito menos, ter tirado Madson até do banco de reservas. Nada poderia ser mais óbvio que Coelho não aguentaria o jogo todo, mesmo sem machucar. Além das questões físicas, antes de deixar o time por lesão, Coelho não vinha nada bem. Era só uma sombra daquele jogador que fez duas boas partidas no início da temporada. Depois foram sequências de contusões musculares e atuações ruins. Foi uma injustiça com Madson e um prejuízo enorme ao time. Não foi o motivo da atuação ruim, mas colaborou. Por sorte, apesar de não ter fortalecido o setor ofensivamente, Fabinho não comprometeu. Falcão demonstra sempre ter um discurso coerente. As atitudes também precisam ser.