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Preguiça

Por Éder Ferrari

 Preguiça
Imaginava que, no jogo contra a Portuguesa, o Bahia fosse atropelar. O momento era todo propício para isso. Rebaixada no Paulista, a Lusa está em crise, com um time fraco tecnicamente e em frangalhos psicologicamente. Na teoria não era uma equipe que criaria alguma resistência. Na prática isso ficou comprovado. Dava para pensar o tricolor aceso, com marcação avançada, velocidade e posse de bola para pressionar o adversário. A escalação com 4.2.3.1 dizia isso, mas a atitude passou longe disso. Não é pedir demais. Falcão já colocou em alguns jogos essa postura, porém, como aconteceu contra o Conquista, foi um time preguiçoso, sem sangue no olho, achando que faria o gol quando quisesse. 
 
A situação é preocupante e são três os problemas. Um time de massa como o Bahia é preciso jogar com o coração. Não se trata de falta de vontade ou “migué” e sim uma frieza sem sentido. Não dá para aceitar esse comportamento sem ambição dos últimos jogos. Adicionado a isso, a mudança de postura. No início da “Era Falcão” o futebol encantava. O sistema de jogo também, mesmo com as muitas carências e os muitos desfalques. Tinha o que eu cobrei no primeiro parágrafo. Hoje, vejo muito do que víamos ano passado. Os zagueiros lá atrás e os setores espaçados. O treinador até mudou o esquema, ao sair do 4.4.2 com duas linhas de quatro, para o 4.2.3.1, com três meias. Acontece que Zé Roberto, Lulinha e Gabriel jogam sempre em velocidade e não organizam o jogo. 
 
Por isso, o time passa, naturalmente, a jogar em contra-ataques individualistas, sem reter e coletivizar a bola. Isso piora com o time espaçado. Falcão precisa rever o posicionamento tático e achar uma solução para essa frieza do time. Aliás, a vida dele não tem sido fácil nas escolhas. Entra jogador e sai jogador e ninguém rende. E isso faz o treinador começar a se atrapalhar e agir como “Pardal”. Vejam o atual momento. Se entra com Zé Roberto ele erra! Com Magno a mesma coisa. Com Vander, o técnico seria massacrado. Quem mais? Morais, que também não enche os olhos, mas hoje é o titular joga três e fica fora de quatro. Jefferson ainda se recupera da cirurgia. Sobrou quem? Esses caras precisam jogar!
 
Esse time fica ainda mais sem luz com os volantes atuais. Fahel precisa se reinventar e deixar o time de fato. Ele, realmente, tem mais atrapalhado do que ajudado. Gosto dele, mas não pode jogar só com o nome. O problema é que o reserva é Fabinho. Por mais que ele venha rendendo mais, existe todo um peso contra o ele. E quando digo “mais” é por culpa de Fahel e não mérito de Fabinho, infelizmente. Hélder voltou da lesão com o mesmo futebol burocrático apresentado em 2011. Foi terrível contra a Lusa. Errou passes e lançamentos demais! Diones não consegue ser constante e vacila nas coberturas. Lenine seria a melhor opção, mas parece estar sem preservado. Ainda se porta com timidez e, em alguns momentos, sente demais quando erra. O resumo da história é que, para a Série A, precisam contratar dois, teoricamente, titulares. 
 
Se os volantes deixam a desejar, o mesmo acontece no ataque sem Souza. O time com a artilharia mais positiva da temporada até aqui no Brasil, cai e muito de qualidade com a ausência do "Caveirão'. Júnior é de lua e, apesar de técnico, é limitado na movimentação e no trabalho de pivô. Sem falar que a direita é cega. Já Ciro, bem, Ciro é um caso a ser estudado. Já o vi fazer grandes partidas pelo Sport e jogos razoáveis pelo Fluminense. No Bahia, não fez uma única partida digna da esperança que trouxe. Por mais que Falcão ainda o ache verde, com Júnior e Ciro, Rafael precisa ser utilizado. Os dois não conseguem render. Ainda bem que Souza está voltando!