Engrenagem
Quem acompanha meu trabalho sabe o quão limitador penso ser um esquema com três marcadores no meio de campo. Não gosto e não gosto mesmo! Por isso, muita gente se assustou ou perguntaram se eu havia enlouquecido por ter gostado da entrada de Hélder no lugar de Magno na derrota tricolor para o Conquista. Não se trata de mudança de conceito ou uma forma de argumentar para proteger a dupla Falcão/Julinho, a quem, abertamente, tenho admiração. O que não quer dizer nada. Quando erraram, se enxerguei, apontei e apontarei.
A questão é que, ao invés de levar nomenclaturas ao pé da letra, o torcedor precisa observar o resultado prático e o contexto. O Bahia estava com o lado esquerdo completamente aberto e sem compactação. Gerley, que fez uma estreia apenas razoável, mas mostrou ter recursos, estava abandonado nas ultrapassagens e na proteção do choque. O lateral direito Átila tinha o corredor livre para avançar e fazer um/dois sobre Gerley. Magno não acompanhava Átila e poucas vezes deu opção de tabela. Mais uma vez o paradoxo Magno entrou em cena. Tecnicamente, talvez seja o jogador com maior capacidade de criar jogadas imprevisíveis, mas, ao mesmo tempo, torna o time bem previsível por ser quase nulo taticamente.
Magno tem como função organizar a equipe e dar apoio ao lado esquerdo. Como não o faz, prejudica todo o time. Ainda se desliga do jogo. Os adversários sabem como o lado direito é forte e travam as subidas de Gabriel e Madson. Nisso, se os dois garotos não conseguirem se livrar do bloqueio, o time fica sem armas. Magno não bota o time para girar como Morais, que, mesmo com os excessivos erros de passes, faz. Independente de onde Magno esteja, quando tem a posse, parte pra cima correndo com a bola. Isso tem de se fazer da intermediária em diante, perto da grande área. Do contrário se torna presa fácil para a marcação. Por isso ele precisou ser substituído naquele momento, mesmo tendo dado dois bons passes para Lulinha, que falhou com o pé torto costumeiro.
No quero deixar transparecer que a culpa da derrota foi de Magno: longe disso. Quase nada funcionou. Honestamente, na hora eu pensava em Zé Roberto ou Vander no lugar de Magno e Hélder na vaga de Diones, que baixou e muito o nível apresentado nos jogos anteriores (ter invertido o lado com Fabinho atrapalhou). Se daria certo ou não fica apenas no imaginário, contudo o fato é que a substituição efetuada compactou e melhorou o time. Às vezes, no futebol e na vida, é preciso perder para poder ganhar. Pela circunstância do jogo foi uma boa opção e, se não atingiu o objetivo, pelo menos deu força para buscar. Mesmo assim foi pouco e mostrou como a atuação foi ruim. Sobre a saída de Júnior, que vinha errando tudo, a opção no banco era Ciro. Ai você para e pensa: “Como manter um desses dois caras? Um estava nulo e o outro tem se comportado como uma barata tonta e egoísta. E ai?” É duro, mas o melhor era ter permanecido um pouco mais com Júnior do que colocar Vander. Faltou um cara para definir.
O fato é que, substituições questionáveis ou não, o Bahia jogou muito mal em todos os níveis, contra um adversário bem inferior. Individualmente, pouco há o que se elogiar. Não sei se foi à sequência de jogos ou puramente subestimaram o Conquista, já pensando na Copa do Brasil, ou simples e coincidentemente, todo o time estava em uma tarde infeliz. Pode ser até a união de tudo isso. Pelo menos o preço pago foi mais barato do que a partida apresentou. Ainda tem o confronto de volta e qualquer triunfo dá a vaga ao tricolor na decisão. Nesta reta final, Falcão precisa definir quais os volantes serão os titulares (Fahel e Fabinho têm como trunfos a experiência e o fato de serem cascudos, enquanto os inexperientes e com menor pegada, Lenine e Diones, estão em um melhor momento. O melhor, nesse momento, é mesclar) e rezar para Morais e Souza, principalmente, fiquem sempre a disposição.
