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Moicano

Por Éder Ferrari

Moicano
Eu, muitas vezes, fico com cara de advogado dos moleques das divisões de base. Tem um amigo que me manda mensagens diárias criticando Lenine. Até quando o rapaz não joga, ele escalda! “Continuo tendo pesadelos com Lenine”. Essa foi à última de meu brother, Filipe, que, por sinal, não fosse delegado e cachaceiro, poderia facilmente ser jogador profissional. O sacana joga muito! Joga, porém, como 90% dos tricolores, é impaciente e deixa de lado as questões fundamentais no uso dos garotos. Não canso de repetir a reza da formação – física, técnica, tática psicológica e tempo -, mas não se pode ser condescendente. 
 
Já havia pedido paciência com Vander no início da temporada, mas depois achei justo ter ficado fora, muitas vezes, até do banco. Faz parte do processo e tem de se fazer por onde! O máximo que ele vinha apresentando era excesso de preciosismo. Fora isso era levantando a manga da camisa e alisando o penteado moicano. Verdade que ele passou um ano quase parado no Flamengo e voltou mais “largo” do que foi. Machucou e não teve sequência. Era para regressar do Rio de Janeiro com status de titular. Nem sempre o planejamento funciona. É uma pessoa e não uma máquina. Por sinal, aos que dizem ter sido estragado na Gávea, o meia sempre foi, na linguagem boleira, mascarado, e até por isso o empréstimo. Só que antes correspondia. Está sendo um talento desperdiçado, mas com tempo de sobra para ser recuperado.
 
Posso até estar falando besteira e ele ter mudado o cabelo simplesmente por que quis. Ou a namorada pediu. Ou não teve tempo de ir a um salão arrumar. Vai saber! O fato é que, ao ter tirado o moicano, foi bem em dois jogos e seu conceito comigo (grandes bostas) voltou a crescer. Espero que não tenha sido apenas uma mudança estética e sim de pensamento e atitudes. Muitos jogadores usam o penteado para imitar Neymar. Só que parecem copiar apenas o lado ruim do melhor jogador brasileiro da atualidade. Algumas jogadas enfeitadas, sem coletividade e o cai cai. Porém, esquecem que, mesmo com toda fama, dinheiro e moral, Neymar joga sério todos os jogos e não é egoísta. O moleque é objetivo demais! Portanto, se for para copiar o craque santista, que seja a seriedade! 
 
Quem também desmanchou o moicano foi Madson. Não tenho nenhum medo de dizer que, hoje, Coelho não tem como barrá-lo. Já havia escrito algo do tipo antes, mas tem me impressionado como cresce jogo a jogo. Encaixa muito bem com Gabriel nas ultrapassagens e está sabendo usar a velocidade com objetividade. Confiança é importante e ela vem aumentando muito. Com tempo, vai ganhar força, massa muscular e melhorar a grande deficiência, que são os cruzamentos. Ainda está em processo de maturação e adaptação ao profissional. Vamos seguir cobrando e elogiando com bom senso.  
 
Como Falcão falou, falta a Vander disciplina tática. Mesma coisa com Magno. Os dois também têm outro problema em comum: o preciosismo. Não consigo compreender. Imaginem ai essa dupla jogando com foco, seriedade, objetividade e recompondo a marcação com eficiência? Têm qualidade para isso. É mais um fator psicológico. Magno também se desliga do jogo. Eles precisam reconhecer isso, aceitar as orientações e trabalhar em cima dessas carências. Não é tão difícil quanto parece. Olhem, por exemplo, como Maranhão evoluiu nesses quesitos em tão pouco tempo. Gabriel é outro exemplo. Só depende deles. São jovens, técnicos e prontos fisicamente. Enquanto não corrigirem essas questões, ficarão onde estão: no banco ou até fora dele.

E, que fique claro, não tenho nada contra estilos capilares diferentes do tradicional! Tenho é inveja, até por que, com a queda precoce dos meus cabelos, só me restaram duas opções. É apenas uma mostra que, muitas vezes, as atitudes são apresentadas no visual. Nada além!