Capenga
Queda de rendimento. Isso é algo natural em qualquer time. É um momento crucial e que precisa ser analisado com critério e bom senso. A depender da situação, sempre é convidativo para as pancadas e a precipitação. Também pode servir para mudar o que está dando errado e retomar os acertos. A única coisa que não se pode ter é desespero. No entanto, na reta final do Campeonato Baiano, com jogos decisivos na Copa do Brasil e, principalmente, com o Brasileiro batendo na porta, esse futebol angustiante apresentado pelo Bahia nos últimos jogos é, realmente, preocupante. O que está acontecendo?
Motivos para o futebol meia boca não faltam. O primeiro é simplesmente a carência do setor esquerdo, desde a origem na defesa. Titi não é nem sombra do “Titibul” do Brasileiro de 2011. Espero que ele não repita no Bahia o que aconteceu no Vasco. Foi muito bem na primeira temporada, mas na segunda só há o que se lamentar. É cedo para crucificar ou valorizar Gutierrez, porém é nítido que lhe falta cacoete ofensivo. Quando passa da linha do meio de campo, age como zagueiro que é. Um pouco mais à frente o problema continua. Morais - fez a partida menos ruim do ano contra o Remo, algo alentador, mas mostra como vinha mal -, Lulinha e Magno não conseguem render o suficiente por ali. Sem o lateral e um atacante para abrir o jogo na esquerda, o time segue capenga. Enquanto Gabriel e Madson – jogando muito mais que Coelho – têm fôlego e liberdade, o time rende. Acontece que é fácil para os adversários enxergarem como o tricolor é unidimensional e rapidamente fecham aquele lado e o Bahia fica sem alternativas.
Zé Roberto ainda está muito longe do que pode apresentar. Aliás, esse é um problema que entra ano e sai ano, bate na cara do Bahia. Sempre buscam jogadores há muito tempo parados e, com esse calendário patético, com apenas nove dias de pré-temporada e jogo quarta e domingo, fica difícil pegarem o ritmo e o fortalecimento físico necessário, sem sofrer problemas musculares. Só para lembrar alguns exemplos. Ano passado teve gente como Tiago, Dodô, Souza e Ramon, que demoram a render ou simplesmente, no caso do último, se resumiu há poucos minutos em alguns jogos. Nessa temporada, além de Zé Roberto, Coelho e Morais também sofrem com isso. Esse é o problema de contratar reservas pouco utilizados. Coelho não jogava desde maio!
Sem Souza, Falcão tem errado nas substituições. É nítido que falta confiança em Ciro e Rafael. Como Júnior machucou e, com quase 36 anos, demora a aguentar o ritmo forte de jogo, o treinador começa a buscar alternativas com cara de invenção. Já colocou Lulinha por ali e contra o Remo foi Zé Roberto. Quebra toda a desenvoltura do time sem uma referência. E, na moral, chegou a hora de Fahel deixar o time. É inegável a raça, mas isso apenas não basta. Fosse assim, Mosquera teria sido titular absoluto ano passado. O ex-treinador tricolor, Sérgio Guedes, me dizia em nossas conversas pós-treino. “Se você vê um volante correndo de um lado para o outro, mesmo com a jogada lenta, não se trata de excesso de vontade e sim por que não sabe se posicionar”. Esse é o caso de Fahel que, quando não atua como terceiro zagueiro, fica perdido! Diones, Lenine e até Fabinho têm jogado mais.
Com o entra e sai de jogadores, muitos voltando de lesão, o time não consegue ter regularidade durante os 90 minutos. Contra o Remo, Madson, Gabriel, Diones e Morais boiaram. Isso vem ocorrendo constantemente. Teve a virada nos acréscimos diante do Bahia de Feira, mas em quase todas as partidas, a queda de rendimento no segundo tempo é visível e preocupante. Jogadores fora de forma, muitas lesões, referências jogando pedra em santo, preciosismo e carências do lado esquerdo. Motivos de sobra para o mau momento. Falcão tem errado e, enquanto o time continuar capenga, seguirá errando. Para uns, vai errar com Júnior. Para outros com Ciro. Já cicrano vai o apontar como professor pardal por colocar Magno. Outro por colocar Morais. Já passou da hora, também, dos caras chamarem a responsabilidade e jogarem com foco e acabar com a displicência e o desleixo.
