Frustração ou imediatismo?
Como diria um amigo meu “nada é mais frustrante do que uma frustração”. É profundo ou não é? Tenho lá minhas dúvidas. No futebol, esse sentimento invariavelmente se confunde com imediatismo. O sujeito tem muita esperança em um determinado jogador, treinador ou time. Se, por algum motivo, independente de qual, não der certo logo, ai é que a confusão sentimental explode com uma boa dose de raiva e arrependimento. Temos mil exemplos disso, alguns bem recentes no Bahia, como os casos de Jobson, Ricardinho e Carlos Alberto. Os três não estão no mesmo barco, cada um com uma maré diferente, mas a navegação foi tortuosa e sem final feliz para o trio.
Atualmente existem alguns casos no tricolor. Quem não se lembra do grito de muitos – eu, inclusive clique aqui – durante a temporada de especulações, para que o Bahia não vendesse Ávine? Com a nova sequência de lesões, já ouvi de muita gente que a diretoria errou em não o vender. “Ávine está bichado!”; “Ávine já era!”; “Deveria ter mandado para o Atlético Mineiro mesmo”. Até que virou mais um no esquema do famoso “chinelinho”, já chegou aos meus ouvidos. É como falei. Uma frustração como essa, acaba sendo regida pela raiva. O jogador não tem culpa de se machucar, porém o sentimento dificilmente deixa de vir à tona.
Ávine não se encaixa no imediatismo, diferentemente de Zé Roberto e Morais. No cartaz da temporada tricolor, os dois eram colocados como titulares absolutos. Hoje a dupla amarga o banco de reservas, que acredito ser temporário. É difícil querer que o torcedor, ávido por resultados, tenha paciência e observe os motivos de rendimentos ruins durante esse início de temporada, ainda mais com jogadores experientes. Pesa contra Zé Roberto o histórico de polêmicas e algumas indisciplinas. Entendo essa preocupação, que é legítima, mas não levo para esse lado. Tem provado o contrário nesse pouco tempo de Bahia.
Em 2009 foi campeão brasileiro e peça chave no Flamengo. Em 2010 fez um segundo semestre muito bom pelo Vasco, apesar de o time não ter ajudado. Tanto é que chamou atenção e foi comprado pelo Internacional no início do ano passado. Era titular de uma equipe muito forte, contudo uma lesão atrapalhou o resto da temporada. Estava nos planos do Colorado, mas forçou a saída por não estar adaptado ao Rio Grande do Sul. Pelo tempo parado e pré-temporada atropelada, acabou vítima de lesões e do sobrepeso. Zé Roberto tem contrato de dois anos e não de seis meses. Merece críticas pelo que vem apresentado no Bahia, porém o histórico dos últimos três avaliza uma paciência. O mesmo serve para Morais, que em 2010 mostrou ser não apenas útil, como decisivo em muitos momentos. Tempo ao tempo.
Mais ai vem àquela história. Vai esperar até quando? A bola não para de girar! Morais conseguiu ter sequência de no máximo quatro jogos. Zé Roberto três e fez apenas uma boa partida, contra o Feirense, em Senhor do Bonfim. Realmente, muito pouco para a expectativa criada. São os dois lados da moeda. Nem se pode renegá-los em tão pouco tempo, muito menos ficar deitada em berço esplêndido, sem mapear jogadores da posição no mercado. Só não se pode confundir frustração com imediatismo.
