Mudança esperada
Não tem como negar que a saída do técnico Toninho Cerezo já era esperada há algumas semanas na Toca do Leão. Com poucos resultados satisfatórios e um futebol abaixo da crítica, o comandante ganhou a carta no rubro-negro baiano e não deixará saudades. Seu lugar no coração dos torcedores, contudo, está guardado e sei que o carinho desses em relação a ele é muito grande ainda.
Quero começar falando que a torcida pode reclamar o que quiser, mas antes de iniciar a temporada o escolheu como preferido. Realizamos até uma enquete no Bahia Notícias e ele ganhou com folga. Acho que neste ponto temos a obrigação de isentar a diretoria pela escolha, bem avaliada por todos, seja na imprensa ou dentro do próprio clube.
Mas no futebol não há muitas escolhas. Ganhou, fica. Perdeu, sai. Além de tropeçar contra adversários pequenos, o time com Cerezo não engrenou e pouco empolgou – ou nada. Nesses cinco meses de trabalho, 22 jogos (20 pelo Baianão e 2 pela Copa do Brasil), a única exibição lúcida foi no segundo clássico Ba x Vi, que terminou 3 x 2 para o Leão. Fora isso, muitos problemas e escolhas equivocadas.
Também não tenho nenhuma vergonha de dizer que fui a favor do seu retorno desde muito tempo. Gosto da filosofia dele e do seu trabalho diário. Quem acompanha sabe o que estou falando. Ouvi de muitas pessoas o seguinte: “Treinador horroroso. Nunca quis ele”. Mentira. Todos foram a favor de sua chegada em Salvador. Agora que o cara está no chão todo mundo quer chutar e tirar o corpo fora.
O grande problema nisso tudo foi a falta de um dinamismo dentro das quatro linhas e uma desorganização tática irritante. O Vitória parecia um bando. Cada um querendo resolver do seu jeito e muito mal, por sinal. Laterais perdidos, zagueiros batendo cabeça, meio de campo pouco criativo e um ataque que depende de Neto.
Portanto, sem muito alarde e desespero, a mudança foi necessária e aconteceu na hora certa. Seja quem for o treinador – Carpegiani ou Jorginho – esse tem que entrar no espírito do grupo, fechado com o antigo treinador.
Meu favorito? Jorginho.
