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A busca

Por Éder Ferrari

A busca
O que Morais, Magno, Lulinha, Vander, Filipe e Zé Roberto têm em comum além de serem jogadores do Bahia? Todos foram utilizados e reprovados na extrema esquerda da segunda linha de quatro, utilizada por Paulo Roberto Falcão no esquema tático tricolor. Nenhum deles conseguiu encaixar na posição como Gabriel fez pela direita. Entra jogo e sai jogo e, mesmo quando um deles vai bem tecnicamente, taticamente deixam a desejar. Morais centraliza demais e não faz o corredor. Magno a mesma coisa e ainda tem contra o fato de não recompor bem na marcação e se desligar da partida. Lulinha é mais um atacante pela direita e Filipe é um volante centralizado. A característica não encaixa. Vander tem se mostrado sem foco em campo: desconcentrado e cheio de preciosismo. Adicione a isso o fato de sempre cortar para o meio e não conseguir recompor. Na direita adequaria melhor. Zé Roberto não tem mais saúde para isso e deve disputar posição na frente com Lulinha e Ciro.  
 
Na partida contra o Serrano ficou claro como Falcão está doido para encontrar alguém que encaixe ali. Colocar William Matheus que, infelizmente, vem se mostrando cada dia mais sem condições de ser titular, provou como a posição está carente. Jefferson seria o cara para assumir esse papel. Não me canso de lamentar a cirurgia no joelho. Vejo que a ideia de colocar Ávine por ali cresce na cabeça do treinador. Pode conseguir resolver esse problema, mas deixa outra posição carente. É o cobertor curto. Melhor aproveitar Ávine na lateral esquerda mesmo. Gosto muito desse esquema, mas o time tem de jogar com o que há a disposição. Ou contrata alguém ou muda a formação tática. Se bem que, com Ávine de volta em bom nível a lateral, o corredor seja ocupado. Seria uma maneira diferente, mas penso que serviria.  
 
Como funciona o esquema com duas linhas de quatro? Comum na Europa, principalmente na Inglaterra – são adeptos, por exemplo, Manchester United, Tottenham e Chelsea -, esse sistema ainda não conseguiu se criar no Brasil. Vejo três motivos claros para isso. O primeiro é a cultura do camisa 10. Apesar de hoje ser uma carência brasileira, o maestro sempre é cobrado por torcedores e imprensa. Em seguida entram os volantes. Criamos o conceito de que os volantes têm de ser pegadores, caçadores. “Volante primeiro tem de marcar. Quem arma são os meias”. Nessa formação buscada por Falcão os volantes não se limitam a fazer coberturas e dar porrada na intermediária. São os primeiros armadores. Contra o Serrano, Lenine, principalmente, e Diones mostraram, dentro de suas limitações, como a função deve funcionar. 
 
O Bahia teve alguns problemas contra o Serrano. Primeiro a grande quantidade de jogadores sem ritmo de jogo. Coelho, Diones, Lulinha, Gabriel, Zé Roberto e Ciro cansaram e limitaram o time. Como podem ser feitas apenas três substituições, quase a vaca foi para o brejo. Não teria feito como Falcão, mas entendo a intenção de colocar William Matheus na segunda linha de quatro. Vander e Jones, que eram as opções, não têm características para isso e pesa contra o desleixo do primeiro e falta de confiança do segundo. Como William ainda estava “inteiro” continuou em campo, porém, o garoto precisa deixar a equipe. Não tem feito por onde e o horizonte me parece pouco promissor. Sei que Gutierrez não vinha tendo chances por ser um lateral marcador. Se limita a ficar na defesa e não aparenta ter velocidade e habilidade para apoiar o ataque. Ainda assim, sem Ávine, não vejo outra escolha, pelo menos por enquanto. Caso não dê certo, corre atrás de outro. O que não pode é seguir insistindo com William. 
 
Falcão precisa corrigir urgentemente o posicionamento defensivo. Desculpem pelo clichê, mas qualquer bola na área é um Deus nos acuda! Rafael Donato com altura de jogador de basquete ou vôlei, 1,91, se posiciona mal e, mesmo no mano a mano, perde disputas inacreditáveis! No entanto, a culpa não é apenas dele. A engrenagem não tem funcionado. O próprio Titi tem falhado, assim como os laterais quando têm de marcar por dentro. Outra coisa que me preocupa são os seguidos problemas musculares. Omar, Coelho, Ávine, Titi, Fahel, Filipe, Morais, Júnior, Souza, Lulinha (duas vezes) e Zé Roberto (esqueci alguém?). É muita gente para menos de três meses de trabalho. Pode ser apenas algo circunstancial ou uma coincidência, mas precisa ser analisado.