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Pedra e vidraça

Por Éder Ferrari

Pedra e vidraça
Em qualquer profissão o cara está sujeito a bater e apanhar: umas mais outras menos. Em algumas a pessoa atira e é atirado internamente e existem aquelas, como a minha e a de Souza, que todo mundo espanca ou é espancado em público. O atacante atua dos dois lados mil vezes mais do que eu. O alcance e o patamar são outros e não se trata de prepotência minha. Mais para frente vocês irão entender que se trata apenas de um encaixe narrativo. Tenho vários assuntos para falar e, por isso, vou me dedicar a distribuir parágrafos.
 
Quando Souza chegou ao Bahia no início do ano passado, já veio como um vidro trincado. A maioria dos tricolores não gostou da contratação, esquecendo o histórico geral para abraçar a perseguição dos corintianos tinham com o atacante. Era aquela linha tênue: caso chegasse brocando, poderia reforçar a vidraçaria. Mais ai entraram quatro situações que arrasaram ainda mais a baixa moral do até então “Cone”. Primeiro o ritmo de jogo. Reserva de Ronaldo Fenômeno, passou quase dois anos meio encostado no Corinthians, sem sequência nenhuma. Segundo vinha de um sofrido processo da perda do pai. Terceiro foi à dispensa de Jael. Na época, o “Cruel” era o jogador mais querido pela torcida e a dispensa causou revolta na maioria, que não sabe todas as querelas dos bastidores. Sobrou para quem? Souza! A situação agravou com a sequência de lesões. Uma coisa leva a outra e, sem nenhuma surpresa, as atuações não davam nem sobra de que dali sairia o atual “Caveirão”, com espetacular média de gols 1,5 por jogo – 18 em 12 partidas.
 
Era difícil defender Souza naqueles tempos, mas me orgulho de ter sempre acreditado nele. Às vezes, convicção acaba virando teimosia. Nesse caso não foi, no entanto acostumado a ser a pedra, virei vidraça para torcedores que discordavam de mim. Nada mais natural. Quem gosta de ser criticado? Quem não quer impor a própria opinião, ainda mais no futebol? É preciso saber separar as coisas e ter um pouco de sensibilidade em cima das circunstâncias. Guardadas as devidas proporções, hoje Lenine funciona como Souza para mim. Amigos que conhecem de futebol têm a convicção que ele é “fraco”, mesmo rendendo mais que o festejado Fahel e experiente Fabinho. Acompanho esse rapaz desde 2009 e, por baixo, devo ter visto uns 50 jogos. Divisão de base é diferente, claro, e ele não tem mostrado metade do que pode fazer, porém a ida para os profissionais é complicada, ainda mais por ter feito cirurgia no joelho ano passado. Atrasou tudo! A galera precisa entender que é existe um tempo necessário. Maior jogador brasileiro atual, Neymar passou uma temporada tomando porrada para conseguir se firmar. Gabriel é um exemplo mais próximo. Vamos devagar com as pedradas! 
 
Por falar em pancada, lutei contra o sono para poder assistir a estreia do TUF (The Ultimate Fighter), reality show do UFC, na Globo. Para quem, como eu, que acompanha o MMA desde a época crua do Vale Tudo, é um orgulho tremendo. Vai ser uma forma dos brasileiros leigos no esporte, entenderem um pouco mais o funcionamento. Não se trata de selvageria ou “rinha humano”, como pessoas sem conhecimento do tema teimam em taxar. Ninguém é obrigado a gostar, mas custa respeitar? Caso não conheça um assunto, procure conhecê-lo para julgá-lo ou então se cale! O treinamento é pesado e as regras protegem demais os atletas. Vamos nos preocupar com o que realmente importa, né?
 
Um deles bate na porta quase todo santo dia. Enquanto o MMA ajuda a tirar crianças da marginalidade - assim como o futebol -, com educação e disciplina, bandidos usam o esporte mais popular do mundo para o contrário. Formadas no início com base no amor e vontade de apoiar o clube preferido, as torcidas organizadas hoje se tornaram gangues abestalhadas. Desculpem a generalização. Conheço milhares de torcedores que trabalham nesses grupos com o conceito de apoio. Porém, minoria ou maioria, esses vândalos que matam e morrem todo o final de semana, jogaram no lixo o puro e divertido nome dos verdadeiros apaixonados. O que me deixa mais indignado é a omissão da Polícia e do Ministério Público. É muito fácil identificar os imbecis! E somente ele e não sair distribuindo pancada em todos! É preciso prevenir e punir. Tudo passa pela educação e regras. Estúpidos têm em qualquer lugar, mas, na Inglaterra, por exemplo, se não resolveram 100%, tiraram o pânico das ruas e dos estádios. Como diria um professor na faculdade. Pergunta cretina ou ingênua: por que não aqui?  Vão esperar ver quantas mães e pais mais chorarem?