PROIBIR NO ESTÁDIO NÃO É SOLUÇÃO
Ao sair de Pituaçu no último domingo (25), escutando as resenhas pós-jogo nas rádios, soube do menor de 14 anos baleado no CAB só por estar com a camisa do Bahia. Esse fato, que não é isolado, chamou mais atenção por ter sido na saída do estádio. Normalmente, os marginais travestidos de torcedores, marcam seus confrontos em bairros e nem devem saber o resultado dos jogos. Claro que ainda existem muitos defensores da filosofia surgida no princípio das torcidas organizadas. Torcer, apoiar, se divertir, levar alegria e brincar, abraçados, com pessoas que compartilham o amor pelo mesmo clube.
Essa filosofia bonita, que torna o espetáculo do futebol ainda mais belo e emocionante, foi deturpada há tempos. Não sei se começou com os hoolingas ingleses – a principal referência mundial de violência no futebol, hoje praticamente extintos -, mas precisa terminar aqui e agora! Sou contra o extermínio dos grupos, mas o Ministério Público e a Polícia precisam agir com rigor. Essa proibição das organizadas no Ba-Vi de domingo (2), pra mim, é mais um cala boca. Na prática, a primeira instância, vai facilitar a vida dos vândalos, que estarão ainda mais “infiltrados” no meio das pessoas de bem. De novo, quem não tem nada a ver com a violência, pode pagar o preço com uma provável ação ostensiva da Polícia sem saber quem é quem.
Lembro da época em que qualquer um que fosse à Fonte Nova, poderia ficar e vibrar tranquilamente na torcida mista no fundo do gol da ladeira, independente de ser Bahia ou Vitória. No máximo, rolava aquela gozação sadia e espirituosa. Todo mundo comia sua água, com churrasquinho de gato – ambos proibidos dentro do estádio atualmente - e a felicidade só era estragada, mais ou menos, com um resultado ruim do seu clube do coração. Já hoje, basta ir vestido com a camisa de seu clube, para colocar um imenso alvo em seu peito.
Não sou antropólogo, sociólogo ou qualquer outro “ólogo”, nem fiz nenhum estudo sobre o tema para chegar a essa conclusão, mas é uma coisa tão óbvia que a preocupação tem que ser de todos os setores governamentais. É claro que se trata de uma questão da degradação de nossa sociedade. Essas pessoas não têm nenhum objetivo, muito menos sentido de vida. Se reúnem em verdadeiras milícias urbanas com intenção apenas de mostrar a força do seu distrito ou comando. Têm que se criar leis específicas para esse tipo de pessoa, para, assim, preservar quem apenas quer ajudar seu clube e teve sua imagem completamente arranhada pelos bestializados.