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Aprendizados

Por Éder Ferrari

Aprendizados
O primeiro tempo do BaVi realmente foi muito bom. Reviravoltas e emoção reacenderam um campeonato arrastado, mesmo com o Bahia ainda cheio de folga na liderança. Há de se reconhecer os méritos do Vitória. Diferente do primeiro clássico, que Toninho Cerezo fez aberrações na escalação, o rubro-negro foi ofensivo e soube explorar as falhas tricolores. Com Pedro Ken e Geovanni aproveitando os espaços entre os laterais e os volantes, não foi difícil abrir os 2x0 logo no início. Nino Paraíba deitou e rolou. Tivesse Marquinhos em uma tarde inspirada, a vantagem teria sido maior. O time de Falcão não conseguiu manter a posse de bola e a derrota foi merecida, apesar das reclamações justas de falta em William Matheus não marcada no terceiro gol. 
 
Tecnicamente, o Bahia esteve em uma tarde muito infeliz. Difícil achar alguém que tenha ido bem. Gabriel só conseguiu render na primeira etapa, mas ainda assim não esteve no nível dos outros jogos. Chegou a pedir para sair no intervalo. Uma pena! Titi lembrou e muito aquele zagueiro inseguro e com erros primários de posicionamento do início de 2011. Sobre Fahel, muita gente reclamou comigo quando disse que Fabinho vinha melhor, mais encaixado ao esquema e com ritmo de jogo. Gosto de Fahel, mas ele é o típico volante que joga como terceiro zagueiro, centralizado. Ainda não consegue encaixar o posicionamento e acaba prejudicando todo o andamento defensivo. Quando um volante corre demais de um lado para o outro, não é só por raça e disposição e sim por não achar a posição correta. Leandro, em 2009, era rei nisso. Parece eficiência, mas não é!
 
Falcão errou. Acho válida a tentativa de testar Ávine pela esquerda na segunda linha de quatro, mas isso requer tempo, treinamento e ritmo de jogo. Agora, no BaVi, estreando na temporada após três meses e meio parado, não era hora para isso. No intervalo, Ávine já deveria ter entrado no lugar de William Matheus, que foi muito mal, engolido por Nino Paraíba. Outra substituição antes do início do segundo tempo era à saída de Júnior. Nesse caso, ao invés de Rafael, a escolha deveria ficar entre Ciro e Magno. Era preciso velocidade, mobilidade, alguém para fazer à esquerda e segurar Nino ou aproveitar os espaços das subidas. As substituições foram infelizes e fizeram a segunda etapa ser o contrário da primeira. O time ficou perdido e sem alternativas.
 
Entre Marcelo Lomba e Omar, como 99% da torcida, fico com o primeiro, mas, nesse jogo, teria mantido o segundo. Lomba foi espetacular ano passado, mas em 2012 Omar tem sido mais seguro do que ele e ainda está com ritmo de jogo. Não era hora, apesar de ter feito uma defesa fantástica no início do segundo tempo e não ter sido culpado pelo resultado. Essas coisas têm de servir de experiência, aprendizado, na busca pela melhora. A queda de rendimento e os erros nas escolhas do treinador já eram esperados. Falcão ainda não conhece o elenco e isso demanda tempo, porém, algumas coisas são óbvias. A hora de errar para acertar é agora, mas não precisa tanto!