Sem direção hidráulica
O velho hit da banda mineira Skank, “É uma partida de futebol”, em um trecho afirma: “o meio de campo é o lugar dos craques, que vão levando o time todo pro ataque”. Bom, pode não ser tão colorido como na letra de Samuel Rosa e Nando Reis, mas completamente preto e branco menos ainda. Foi isso que eu enxerguei do principal setor do Bahia na partida contra o Avaí. Um coquetel de falhas de marcação e passes. Não foi o time catarinense que, desesperado e exalando vontade, dominou o tricolor e sim a equipe de René Simões que não encaixou o jogo.
Não é novidade para ninguém que, se os volantes e os laterais renderem abaixo do necessário, nenhum time anda. A base principal do jogo tricolor é a pressão que os volantes dão no meio de campo. Marcone e Diones ocupam bem os espaços e deveriam chegar como elementos surpresa na frente. Isso não aconteceu! Diones é onipresente, parece estar em todos os lugares, mas não desenvolve tecnicamente. Não chuta, não lança e não dá opção aos atacantes. É muito não para um jogador só. Foi o pior jogo dele, mas já vinha com essas deficiências nas partidas em que atuou bem. Como disse no último artigo, se quiser ser diferente, precisa ousar. Sobre Marcone, que eu acho ter muita qualidade técnica, deixo um conselho: futebol é sério e não aceita preguiça!
Como havia mostrado contra o Corinthians, Ricardinho provou mais uma vez que o negócio dele é mais recuado. Tocou bem a bola, tentou fazer o jogo correr, mas estava há quilômetros de Jobson e Júnior, que se viam obrigados a ter de correr com a bola o tempo todo. Me pergunto: Tressor Moreno estaria fazendo diferente? Não tem formiguinha que agüente, ainda mais em uma noite pouco inspirada. Como dizem meus amigos Ângelo Paz e Herbem Gramacho nas resenhas do baba da imprensa, “futebol é simples e a qualidade resolve”. Quando os onze não funcionam 100% como time, o individual tem de fazer a diferença. Sem os dois, empata com o Avaí! Dois pontos perdidos no frio.
Queria bater em uma questão preocupante. Sem Ávine e Carlos Alberto, o Bahia parece um time comum. No caso do lateral esquerdo, a situação é ainda mais drástica. Pensava eu, talvez por ingenuidade, que Dodô tinha amadurecido o suficiente para não comprometer quando fosse exigido. Levo em conta os mais de dois meses sem jogar por falta de chance, mas não justifica o “apagão”, como o próprio René Simões afirmou. Disse há meses e reforço: esse menino tem de voltar à divisão de base. Tem potencial, mas precisa de maturação nos fundamentos e no psicológico. No profissional, ninguém vai se preocupar com isso: os resultados batem na porta! Com um seguidor sempre me fala no Twitter e eu dizia que não era necessário, agora admito: é preciso um lateral esquerdo para disputar com Ávine.
Do outro lado a questão é diferente. A recuperação física de Jancarlos após a delicada cirurgia no joelho foi rápida e sem erros. Tudo saiu perfeito! Entretanto, tecnicamente, parece estar jogando de calça jeans, daquelas bem coladas. Não consegue driblar e erra muitos passes. Nem é sobra daquele jogar que cruzava com a mão tanto nas bolas paradas como em movimento. Parece que falta confiança. Às vezes, a parte psicológica é muito mais complicada de curar do que a física. O problema é que os jogos vão passando e a recuperação não vem. É preciso buscar alternativas dentro ou fora do grupo. Marcos não é a solução!