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As diferenças (2)

Por Éder Ferrari

As diferenças (2)
Sigo minha cruzada contra os treinadores supervalorizados, que vão aos poucos transformando o futebol brasileiro em algo parecido ao brucutu calcio italiano. Estão quase lá. Os dirigentes e os formadores ajudam e muito no processo. Esse meio de semana de jogos foi interessante para mostrar, mais uma vez, a diferença de quem pensa em obter o resultado jogando, ao que o busca de outra forma. Cada um na proporção devida, Bahia e Espanha representaram a primeira parte. O Brasil e muitos clubes pelo país a segunda. Poderia dizer que existe falta de conceito, mas não seria a realidade. A infeliz verdade é que ele existe, porém, completamente distorcido. O que tem sido Mano Menezes a frente da Seleção? O que se passa na cabeça desse sujeito? Só para não perder a chance, valeu Patrícia Amorim, obrigado Flamengo! 
 
Não serei prepotente ao ponto de criar uma linha, sem pesquisa, que leve um fato a outro, contudo, acredito que vale a reflexão. A parte tática e os conceitos são ultrapassados. Será que isso passa pelo, como diria Paulo Maracajá e seu dicionário particular, “incaível” Ricardo Teixeira? Como o “dono” da CBF parece entender de bola rolando, inversamente o que conhece de articulação nos bastidores, vejo pouca ligação prática. Entretanto, se quem comanda a Seleção Brasileira não tem visão do que deveria ser fundamental para o futebol do país, o que esperar do resto? Confederação milionária, obscura, que demonstra claramente pensar apenas nos lucros e não no futuro de quem, por história e talento nato, deveria apresentar, sempre, o jogo bonito. Claro que, evidentemente, alinhado a eficiência e não a irresponsabilidade.
 
Pois bem, ridiculamente preocupado com o resultado de um mero amistoso e não com o produto final, Mano Menezes segue patético na Seleção Brasileira. Claro que entendo a dificuldade do pouco tempo de trabalho e da geração meia boca de meio campistas, mas não justifica o pensamento. Aliás, qual é ele mesmo? Se Lúcio, que ainda mostra vontade e qualidade, não pode mais jogar pela idade, o que fazem os decadentes Júlio Cesar e Ronaldinho Gaúcho nas convocações? Sempre fui fã dos dois, mas não dá mais! Mano parece perdido. Hernanes se destaca como meia esquerda, e é escalado quase como um ala pela direita. Sinceramente, nem dá vontade de discorrer sobre o suposto esquema de jogo do Menezes. Falar do que não existe é ficção e sobre isso só gosto no cinema e na literatura. 
 
Enquanto isso, cheio de desfalques e sem ligar se o adversário é fraco, Paulo Roberto Falcão vai, jogo a jogo, enchendo de esperança os tricolores. Não pude ir ao café da manhã/palestra que ele ofereceu aos repórteres, mas pesquei algumas coisas com os colegas. Se ele seguir conseguindo colocar os pensamentos e os conceitos em prática, pode ser o início de uma retomada. Não que eu seja ingênuo de achar que uma andorinha fará um verão, porém é preciso se apegar a alguma coisa. Melhor um do que nenhum! Falcão tem mostrado a Mano Menezes que, mesmo com pouco tempo de trabalho, basta trabalhar e não usar desculpa dos jogos quarta e domingo. Quantas vezes já escutamos isso? Não sou treinador e nunca serei, no entanto, já percebi faz tempo que o time tem de ser compactado do meio para frente e não do meia para trás. Ainda ganha quem faz mais gols. Ainda deixa o torcedor mais feliz quem busca jogar e não quem busca marcar. O contra-ataque é o clichê de que o importante é o resultado. Qual resultado?