Conceitos
Aqui mesmo neste espaço, após a apresentação e os primeiros treinamentos, elogiei o trabalho de René Simões e não retiro uma vírgula. Não foi algo precipitado, mas o tempo vai clareando as análises. Lembro que, na época, alguém – a memória me falha sobre quem e por isso não dou o crédito - me perguntou: “o treinamento dele é bom mesmo ou você está se iludindo na comparação com Benazzi, que só faz rachão?”. Dei risada com a brincadeira, mas ela me permitiu ser mais criterioso. Aquele trabalho realmente é muito bom, entretanto tem brechas que o dia a dia vai esclarecendo.
René, e isto está claro para todo mundo, não consegue armar a defesa. É impressionante como não arruma as variações mais simples de cobertura e posicionamento dos volantes e laterais. Os zagueiros saem muito para cobrir e deixam sempre um buraco no meio da área, que não é preenchido por ninguém. Simões sempre tenta reposicionar um dos laterais, mas fica com o cobertor curto. Cobre aqui e descobre ali. Os quatro adversários até aqui no Brasileiro enxergaram as brechas e exploraram sem serem incomodados. Não fosse uma mistura de ruindade, preciosismo e azar, principalmente do Atlético Mineiro, a situação tricolor, atualmente terrível, estaria pior!
Não quero aqui tirar René para Cristo. Acho um cara com bons treinos, boas idéias, mas que não está conseguindo colocar em prática por vários motivos. E, pelo que vejo nos treinamentos, se não mudar a forma de trabalhar as atividades táticas, não conseguirá corrigir os problemas defensivos. Se não rever alguns conceitos, não vai dar, infelizmente! No entanto, algumas dessas falhas são tão infantis, que não precisava nem do treinador. Falta qualidade, visão de jogo e liderança aos jogadores do setor. Cada um com seu problema. Thiego e Titi são bons exclusivamente no mano a mano. Dar um drible nos dois não é fácil. Vontade e raça também não faltam. Contudo, é preciso mais, que poderia ser suprido com a experiência de Fahel. Só que, como me disse um espirituoso torcedor no Twitter (@MarceloAmaOBaea), “Fahel parece Marcos na lateral, engana + ñ joga nada”.
Um volante que não rouba bolas, não consegue se posicionar bem e não demonstra espírito de liderança dentro de campo. Nunca fui fã de Fahel, mas não imaginei que ele viria tão mal. Pelo menos na parte tática Fahel sempre se garantiu: o que não vem acontecendo no Bahia. Marcone, que tem muita bola, se perde na preguiça de jogar. É impressionante isso! Poderia estar em outro estágio da carreira, mas parece acomodado. Com esses dois do jeito que estão, Diones, mesmo sendo mais um terceiro homem, não tem como ficar no banco! Com Diones e os laterais atuais, não dá pra ficar marcando no campo de defesa. Com o esquema usado, o velho ditado boleiro tem de ser colocado em prática: “a melhor defesa é o ataque”. Avança a marcação, encurta os espaços e mantém a posse de bola. Não é fácil, mas tempo para treinar, tem!
Um time que não morde, não pode ficar esperando o adversário definir o que vai fazer. Tem de matar a bola antes. Mas os problemas de René Simões não param por ai. Ele tem sido incoerente e o discurso preocupa. Depois da atuação pífia de Jones contra o Atlético, o treinador dizer que foi muito bem e será importante é brincadeira! O pior é que ele está falando sério e não com intenção de blindar o comandado. Em cinco minutos contra o América-MG, João Neto fez muito mais que Jones em 30 e simplesmente foi encostado. Maranhão também vinha entrando bem e perdeu a vez. Qual o critério, já que Jones não vinha fazendo nada demais nos treinamentos? Gabriel, de titular e “grata surpresa”, nem para o banco foi. Cadê o critério?
Eu entendo as circunstâncias do jogo, que foi preciso fazer duas substituições por questões físicas – Thiego e Diones -, porém, a comissão técnica deveria saber que Diones, Ricardinho e Jancarlos não agüentariam o ritmo, além de Fahel. Deu pena a situação dos três no final do jogo e, em cima deles, o Galo não matou a partida por que foi muito incompetente nas finalizações. Cabe a diretoria chamar René e abrir os olhos, tentar corrigir esses problemas. É um cara inteligente e que saberá entender essa “ingerência” no time. É mais fácil do que mandar embora e sair feito doido atrás de outro sem a certeza de resolver.