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As diferenças

Por Éder Ferrari

As diferenças
Observando o Bahia com nada menos que onze desfalques para a partida contra o Camaçari, poderia imaginar uma mudança de postura com relação aos últimos jogos. Longe disso! Não tem a ver com o “se”, mas sim a analise de dados. Estivessem no lugar de Falcão, René Simões, Joel Santana, Renato Gaúcho, Márcio Araújo ou Vágner Benazzi, só para citar os últimos a passarem pelo tricolor com tempo mínimo de trabalho, o time jogaria todo fechado. Não interessaria o adversário. Isso aconteceu com todos esses caras mais de uma vez e por isso não é uma questão de “se”. Não digo que Falcão é o bonzão e eles são ruins. Trata-se de conceito. Nosso futebol é nivelado por baixo e, por isso, a repetição e a estratégia têm de ser trabalhadas exaustivamente. 
 
Campeonato Baiano não me engana, não me ilude, porém, antes, com o mesmo nível pífio, o Bahia se embolava todo por falta de trabalho tático e de estratégia de jogo. Mesmo com elencos mais fracos que o atual, era muito superior aos clubes do interior, mas faltavam padrão e esquema tático. Quase sempre era um bando simploriamente posicionado, levando às partidas a base da individualidade. Taticamente, sempre corria atrás da bola. Com pouco tempo, o conceito de jogar e não de evitar, mudou a cara da equipe. Arrisco a dizer que, com Joel, Gabriel, hoje principal destaque da equipe, estaria escorado, muito provavelmente atuando apenas em caso de ausência do Coelho. Futebol é tão simples, que neguinho se atrapalha e não enxerga o que está na cara. Se imponha taticamente, que a parte técnica aparece.
 
Futebol hoje em dia é repetição. Vi apenas um treino com Falcão na véspera do BaVi. Em outros tempos, ficariam no rachão e no máximo em cruzamentos sem critério para a área. Primeiro rolou um trabalho técnico para melhorar a troca de passes e, no final, cobranças de faltas exaustivamente ensaiadas. E é isso, parceiro. Treina, treina, treina e treina que o resultado aparece. Você pode e deve distrair os jogadores com o baba deles, porém, não pode ficar só nisso. Em termos táticos, o rachão não serve para quase nada. A desculpa é que os caras não gostam de exercícios de repetição. Conversa! Fosse assim não existiria concentração ou gols de falta.
 
 Sobre a partida contra o Camaçari, O Bahia jogou para o gasto e fez o resultado com tranquilidade. A fragilidade do adversário ajudou, entretanto o péssimo gramado – como quase todos do Baiano – atrapalhou. Ciro começa a se encaixar como ótima opção para ser companheiro de Souza, mas precisa ser menos egoísta. Magno vai pelo mesmo caminho e, às vezes, se esconde do jogo e faz muita firula. Tem de ser mais objetivo. Fabinho comprovou que tem de ser primeiro volante. Ou joga ele ou Fahel. Fico com o segundo. Os laterais, Madson e William, aos poucos vão perdendo a timidez. Ainda não mostraram condições de serem titulares, mas a sequência pode dar confiança e adiantar o processo de maturação. O time está se encaixando e vencendo com segurança. Isso facilita a entrada dos garotos. O caminho tricolor é longo, no entanto, tem se mostrado promissor. A curva está apenas no início e é crescente. 
 
PS: desculpem a falta de inspiração no texto. A gripe me pegou forte e estou derrubado, de cama. Articular ideias e escrever com febre não é fácil!