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Buscar méritos

Por Éder Ferrari

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Clássicos em início de temporada sempre tendem a ser fracos. Os times estão desfalcados, desentrosados e ainda sem o ritmo de jogo ideal. Por tudo isso, não tinha grandes expectativas para o primeiro Ba-Vi do ano. Quando vi a escalação do Vitória, então... No entanto, não esperava que fosse tão ruim! O segundo tempo foi de se lamentar. Não aconteceu nada em termos de emoção. Nem aquela velha polêmica de arbitragem rolou. Só um choro aqui e ali e nada mais. O resultado foi aquilo que foi o jogo: dá zero pra eles!
 
Porém, se a qualidade técnica não foi boa, algumas coisas foram interessantes. Observei bem o posicionamento da equipe. Não dá para cobrar absolutamente nada em termos de organização ou, como virou clichê, ver o dedo de Falcão no time. Esperava um 4.2.3.1, com variações para o 4.2.1.3, mas a formação foi outra. Zé Roberto – uma escolha infeliz do treinador por estar completamente sem ritmo – foi um segundo atacante pela esquerda. No meio, Morais pela esquerda centralizando, enquanto Gabriel ficou aberto pela direita. 
 
No primeiro tempo, o time foi melhor até os 30 minutos, mas, depois daí, o nível caiu demais e foi chato assistir até o final. Até por isso, vou trabalhar em cima das coisas boas iniciais. Com o Vitória travado, cheio de volantes e os laterais presos, o Bahia conseguiu avançar o posicionamento defensivo e encurtou o campo. Então, por que não fez gols ou ao menos criou oportunidades para isso? Simples: por mais que taticamente a engrenagem funcione por alguns minutos, é preciso que o jogador resolva. Morais e Zé Roberto, esse muito por estar fora de jogo, foram bem abaixo do mínimo que podem apresentar. Não davam prosseguimento as jogadas e não apareciam para o jogo.
 
No discurso de Falcão, ele tem apontado sempre para o toque de bola e as ultrapassagens. O um/dois deve permear os treinamentos em busca do que espera do jogo. Vai ser difícil conseguir isso com a fragilidade do passe dos volantes tricolores. Continuam sendo o ponto fraco da equipe, como no ano passado. Se os laterais não estiverem inspirados – com Hélder improvisado é utopia esperar inspiração – os meias acabam sobrecarregados. Por característica, Morais é quem mais pega na bola e, como não acertou nada, a engrenagem travou. Souza não recebeu uma bola em condições de marcar, mesmo com Gabriel em boa tarde. Falta força ao bater na bola. Melhorando isso, vai ser difícil alguém tirá-lo do time titular.
 
 Foi um erro, mas não recrimino Falcão por ter colocado Zé Roberto. Trabalhou com o jogador em boa fase ano passado no Inter. Por mais que tenham polêmicas disciplinares no histórico, Zé é uma referência e tem se dedicado muito aos treinos físicos. O treinador esperava nele um fator de desequilíbrio e experiência. Contudo, pelo futebol apresentado contra o Conquista, Ciro merecia a sequência. A escolha errada ficou ainda mais evidente pela atuação de Morais. Tento recordar, mas não lembro a vez que o vi jogar tão mal! Como não levou Magno para banco, a recomposição ficou difícil. Não tinha ninguém para fazer a função. Sigo lamentando a lesão de Jeferson. Pelo sim, pelo não, sigo confiante no crescimento do time. Um jogo ruim me mostrou isso.