IMEDIATISMO DESNECESSÁRIO
O que uma derrota não faz, né? Tudo que estava sendo feito para recuperar o tempo perdido, volta a ser a desgraça da humanidade. No futebol isso é muito real e acontece jogo após jogo. No caso do Bahia, os anos de incompetência, descaso e costume com o medíocre, fizeram muitos torcedores perderem a confiança, a fé e até a esperança cega de que seu clube do coração sempre vai se superar e ganhar. O sofrimento transformou a realidade sempre em um imediatismo pessimista e desnecessário.
Não acho que esteja tudo certo; não acho que não precisem de mudanças; não acho que o planejamento foi correto; não acho que René Simões é um gênio; não acho Souza o centroavante ideal; não acho que o marketing esteja fazendo um bom trabalho; não acho que Fahel, Danny Morais, Thiego, Hélder e Camacho tenham condições de ser titulares; não acho que Marcone e Ávine estejam bem. Adiciono a lerdeza para reformar o campo principal do Fazendão e a desconfiança extra-campo em cima de Ricardinho, Carlos Alberto e Jobson, além das carências defensivas. Tem muito a ser corrigido! Porém, todo mundo tem muitos desses e outros problemas para resolver.
Não sou cego ou iludido e o que foi dito no parágrafo acima demonstra isso, mas não consigo entender quem fala e até aposta contra o próprio clube. É o medíocre pensamento de torcer contra para provar que está certo. Muitos acreditam que o desespero de agir como um conformado com o pior pode facilitar ou evitar o sofrimento. Bobagem pura! A realidade é dura, mas não é tão feia ou definitiva. Nem vou citar exemplos de outras agremiações, que passaram por momentos piores que o atual do Bahia, por que comparações são sempre questionáveis. O fato é simples: o campeonato está no começo e a equipe ainda terá muitas mudanças e só tem a crescer.
Quero deixar claro que não estou querendo uma torcida, como diria Paulo Carneiro, “irracional”, mas gosto de torcedores coerentes, que entendam o jogo e saibam que derrotas vão acontecer. A situação poderia estar muito melhor, mas corrigir falhas de cinco meses em um não é fácil. Pior seria se não tentassem mudar. Reconhecer o erro é um grande mérito. Seguir é burrice! O Bahia pode não ter time para disputar o título, mas, na mesma proporção, também não tem para cair. Entretanto, o futebol não tem fórmula pronta e, pela imprevisibilidade, pode levantar a taça ou cair no poço do elevador. Vamos com calma e critério, analisar os fatos, os erros e os acertos e abraçar o clube. Demorou tanto para voltar; não pode a torcida, mesmo ressabiada e com medo do pior, ajudar a empurrar ladeira abaixo. Confiança e auto-estima dos tricolores contam muito no time! Tem de saber separar as coisas.
Deixo para o próximo artigo uma análise técnica e tática do time de René Simões. Internet tem isso: quanto maior o texto, menor o interesse.