Coisas do clássico
Não foi um grande clássico, mas, também, não foi a porcaria que alguns tentam qualificar. O maior problema deste jogo é que havia uma certeza dos tricolores e uma desconfiança dos rubro-negros que o Bahia tinha todas as chances de golear. Mas, no frigir dos ovos, o Vitória empatou e o Bahia não perdeu.
Se o cara entrar na Internet e pedir as principais matérias da semana, havia, de forma muito explícita o palpite de que era jogo para o Bahia meter quatro ou cinco, porque o Vitória ia jogar com uma zaga de meninos formados na base contra um adversário mais encorpado, vivendo um bom momento, recomendado por cinco vitórias seguidas, mesmo tendo sido uma delas, a de 4x3 contra o Itabuna, discutível pelos erros da arbitragem.
Eu mesmo achava que o Bahia tinha condições de ganhar, não por goleada astronômica, mas por ter uma equipe mais coordenada e mais experiente. Só que, em clássicos acontecem coisas inusitadas: e não é que o menino Gabriel parou o experiente Souza?
O clássico teve, também, suas linhas de aprendizado. Os técnicos Falcão estreante e Cerezo já mais adaptado ao seu grupo, se equivaleram, os dois ataques não foram muito acionados pelos meio-campistas e o goleiro Douglas, que foi mais exigido, mostrou que é realmente tranqüilo e eficiente.
Entendo que quatro jogadores se destacaram: Gabriel e Donato, pelo Bahia, Gabriel e Douglas, pelo Vitória. Mas o zagueiro Gabriel, que joga pelo time da Toca do Leão, foi o melhor de todos eles.
Este jogo repetiu uma grande lição para o torcedor: em clássico nunca se deve subestimar um time, engrandecendo o de seu coração, porque, quase sempre, as lentes de contato não trazem o grau que se espera e a decepção é sempre muito dolorosa. Depois, a solução é dizer que nada prestou e tudo tem que melhorar.
