Tchau!
Realmente não queria escrever sobre a saída de Joel Santana, ainda mais depois deste texto do meu amigo Nelson Barros Neto, que disse tudo, no entanto, manda quem pode e obedece quem tem juízo! Não sou ninguém para denegrir a história de Joel, mas tomarei a liberdade e a ousadia de comemorar a despedida. Não há necessidade de contestar o sucesso da carreira do “papai”, porém, quando se trata de futebol, sou prático e analiso o que vejo, as circunstâncias, o momento. O nome está cravado em qualquer livro que fale sobre o tricolor e não podemos desrespeitar isso. Contudo, a hora é agora e o pensamento tem de ser pelo agora!
Desde que voltou ao Bahia, Joel não mostrou estar de corpo e alma no Fazendão, como escrevi no último artigo. Já morava em Juazeiro, mas, por coincidência, estava em Salvador quando ele chegou e fui à apresentação. Vi um sujeito constrangido, tentando justificar o injustificável, com clichês – torcida maravilhosa, bicampeão brasileiro, etc. - e uma falsa emoção ao falar do clube. Foi o início de uma relação sem graça e com nítido recalque por parte do treinador. Aberrações como a postura tática (?) e declarações diminuindo o tricolor irritaram e muito a maioria dos torcedores. Não consigo ver algo além do medo de ficar desempregado, para ele ter renovado em dezembro. Deixamos isso para lá e guardemos o Joel de Raudinei. Esse ai, com cara e postura de sardinha, que seja feliz e siga a vida em outros mercados.
Agora é pensar no que vem por ai. Os dois treinadores de 2010 são os nomes mais fortes. Não sou muito favorável a repetições e buscaria outras opções, mas, entre Márcio Araújo e Renato Gaúcho, sem a menor sombra de duvida, traria o primeiro. Apesar de algumas restrições sobre os conceitos táticos, Márcio foi o cara que deu certo. O time tem postura e sistema de jogo; se dá bem com todos os funcionários; gosta do clube e da cidade; a torcida apoiaria e teria paciência; os auxiliares técnicos brigados com Paulo Angioni, não trabalham mais com ele; sabe lidar com os jogadores. É uma questão de aparar as arestas e resolver as rusgas que ficaram da primeira passagem. Seria uma boa escolha, mas não precisa ser ele necessariamente.
Quem eu não queria era Renato Gaúcho. Se tem uma coisa que tenho é memória! O Bahia pegaria o Asa de Arapiraca no sábado e, na sexta, me chegou a informação que, em caso de derrota, Renato seria demitido. O sujeito é tão largo, que ganhou do Asa e no mesmo dia chegou a proposta gremista. Três dias depois, ganhou do Paraná e saiu com a pose de gostosão, que tanto vende. De desempregado a putão em quatro dias! Grande figura que é, Gaúcho é carismático, tem o dom da palavra e nenhuma papa na língua. Teve altos e baixos no Grêmio e no Atlético-PR após a saída. Tem muitos méritos, claro. Poderia dar certo como diretor de futebol. Como treinador é motivador e sabe cativar os jogadores, porém, se o negócio começa a dar errado, joga a culpa nos outros sem medo de ser feliz. O pior é o trabalho de campo. É adepto do rachão e, taticamente, é muito limitado. As jogadas ensaiadas são menos do que básicas e o time, invariavelmente, se via dominado por equipes mais fracas.
Não vejo necessidade em contratar desesperadamente. O Ba-Vi do dia 12 não definirá o Campeonato Baiano, muito menos a temporada. A comissão técnica fixa do Bahia é bem competente e pode segurar a onda para a melhor escolha. Tem de se traçar o perfil do elenco e analisar bem para encaixar. Tem de pensar a curto, médio e longo prazo. Muitos me pedem e até cobram indicações. Estou fora disso, negão! Avaliei apenas os nomes pipocados e assumidos pela diretoria como de interesse. Vai que eu falo e o cara vai mal? Nunca mais eu pisaria em Pituaçu! Contudo, entretanto, todavia, como os dedos coçam no teclado, um nome seria o ideal. Indico o melhor treinador do mundo, El Loco, Marcelo Bielsa! Ah, se fosse uma possibilidade real! Fica no sonho! Quem sabe um dia?!
