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Lição de vida

Por Edson Almeida

Lição de vida
Uma paixão desmedida cega, mata, leva pessoas ao facciosismo. Tipo de gente que sofre mais do que as pessoas menos desequilibradas, porque todos temos nossas tendências e nossos equívocos, mas é preciso um exercício intenso e continuado para não cair nas teias do fanatismo.
 
Particularmente, não gosto de fanáticos políticos, religiosos ou do futebol. São repetitivos e chatos, criam conceitos absurdos, de tanto tentarem fazer lavagem cerebral nas pessoas, acabam com a mente embotada, sempre direcionada para suas incompreensíveis paixões.
 
Agora mesmo, não é nenhum crime o técnico Joel Santana, como qualquer profissional que recebe uma rentável proposta, mudar de casa e cuidar de sua vida. Não é um time qualquer que está tentando retorná-lo às suas origens cariocas. Todos sabemos que ele é carioca acima de tudo – e treinar um Flamengo só deve ser inferior mesmo a uma oportunidade na Seleção Nacional. O Bahia – ou qualquer grande clube do Nordeste – será sempre um passatempo, uma chance sem grande significação.
 
Aliás, a torcida sempre teve restrições ao esquema tático dele, considerando-o um retranqueiro e sem visão para mudar jogadores em campo, mas se tudo isso fosse uma verdade absoluta, ele não teria grande cotação no mercado. O que me preocupa é ver companheiros, que tanto o criticaram quando ele chamou o Bahia de “sardinha” e que agora superlativam seu desempenho no Tricolor, amargando  a dor de ver o “Papai Joel” arrumando as malas para formar lá fora uma nova família. 
 
Alguns deles chegaram ao ponto de silenciar diante do esporro do técnico durante uma coletiva no vestiário. Tinham que reagir, que mostrar o valor e a dignidade de suas perguntas de jornalistas.
 
Apesar de ser um negócio muito sigiloso, com Joel e a presidente Patrícia Amorim desmentindo a imprensa, acho que está chegando ao fim este novo ciclo de Joel no Fazendão.
 
O Bahia tem que ser altivo e definir logo esta situação, porque não vai custar muito (caso a transferência não se confirme) e novas complicações poderão vir.
 
E que para nós jornalistas seja mais uma lição de vida de que é  preciso moderar elogios e críticas, para não ter que passar por esses dissabores.