Você pagaria?
Vou começar explicando a pergunta do título. Essa semana, após uma guerra nos bastidores entre Flamengo e Fluminense, o tricolor carioca levou a melhor e contratou o meia Thiago Neves. Até ai nada fora da realidade. O susto foi à naturalidade com que informaram o valor do salário. Como se fosse qualquer merreca, o clube das Laranjeiras vai pagar – na verdade a Unimed – nada mais, nada menos, que R$ 730 mil/mês! Por isso pergunto e peço que respondam pelo Fala Torcedor, Facebook ou Twitter, antes de dar seguimento ao texto. Quero que não sejam influenciados pela minha opinião. Você pagaria?
Fiquei assustado, apesar de não ter me surpreendido. No próprio “Pó de Arroz”, não sei o número exato, mas o salário de Deco gira em torno de R$ 900 mil! Nada contra os jogadores. Estão no direito deles: se tem quem pague como o cara não vai queixar? Eu acho um completo absurdo que paguem! Sequer existe um plano de marketing em torno dos jogadores. Até por que o retorno não seria grande coisa. Casos como o de Neymar são exceções. Os conceitos estão invertidos. Nem carente a posição era! Deco, Lanzini, Wagner, Souza e Martinuccio já faziam parte do elenco. Clubes falidos agem como milionários despreocupados. Nem centro de treinamento o Fluminense tem. A dívida beira os R$ 400 milhões! Como pode isso? E outra, a bola de Thiago Neves está longe disso. É apenas de um bom jogador, com muitos méritos, mas com histórico de razoável e não de craque!
Nem quero levar pelo lado das comparações. Claro que cabe lamentar ao observar os vencimentos de professores, policiais, médicos, dentistas, etc, mas trata-se de outra realidade de vida, porém, a desproporção fica ainda mais assustadora. Sem falar na maioria dos jogadores pelo Brasil afora, que recebem salário mínimo e com atraso. Isso tudo é uma bola de neve, que já faz os meninos na divisão de base sonharem com cifras e não com longevidade, responsabilidade e a busca sempre pelo máximo de competência profissional. Deslumbra! Tudo virado! Muitos acham que só o talento basta. E assim o futebol brasileiro vai afundando maquiado, como um “barão” quebrado, “posudo”, com um carrão antigo sem gasolina, uma mansão acabada e as contas todas no vermelho, mas sempre “na moda”. Pífio!
Bahia
Como já havia adiantado no último artigo, devido à operadora dona dos direitos de transmissão em pay per view do Campeonato Baiano, não utilizar o produto, sobrei na estreia do Bahia. Escutei pelo rádio, conversei com pessoas que foram a Pituaçu e vi os melhores momentos, mas seria irresponsabilidade, uma mentira minha, analisar a atuação. Entretanto, superficialmente, tenho como dar alguns pitacos. Tirando o tempo dos exames médicos, descanso e do rachão, foram apenas dez dias de pré-temporada. Um completo absurdo! Não tinha como o time ter algum padrão tático inovador ou o condicionamento físico, ao menos, perto do ideal.
Esperava que fosse complicado, mas levar três gols é demais! Notícias de que o posicionamento foi o mesmo do ano passado, apesar dos três meias, chegaram, contudo, vou esperar para observar o embrião tático no próximo jogo, contra o Bahia de Feira, que será transmitido. Prometo me organizar para, pelo menos, assistir uns dois jogos por mês em Pituaçu. Vai ser difícil, mas essa responsabilidade é minha! O que sigo falando, não por esse jogo e sim pelo histórico no clube e na carreira recente, é que foi um erro ter mantido Joel e todos os volantes - calcanhar de Aquiles do time ano passado. Que não se iludam com o Baiano. Quando o time atingir a potência física que a estrutura lhe propícia, deve sair passando por cima das equipes do interior, pela abismal diferença técnica. Lembram a época de Vagner Benazzi, em 2011? Paciência tem de existir, porém, os erros têm de ser observados e cobrados. É só o começo!
