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Por Éder Ferrari

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Miniférias devidamente aproveitadas; volto à rotina de trabalho e pesquisa sobre o Bahia. Nada muito profundo, superficial até devido à época, mas só prova como as coisas pouco mudam no mundo do futebol. Ainda assim, dá para visualizar fatos novos e promissores. Outros nem tanto. É a vida que segue divertida e tortuosa, como sempre! Reconheço que, apesar de decepcionado com atitudes e opiniões sobre os bastidores, volto meu pensamento para dentro do campo. Claro que não poderia deixar de externar, mesmo que brevemente, uma crítica sobre a nova composição do Conselho Deliberativo tricolor. Fica para o final.
 
Ricardinho deixou o clube. Uma pena, mas nada que cause desespero. Jeferson, Morais, Magno, Jones (?), Lulinha, Gabriel, Vander, Ananias, Fábio e Paulinho. Uns mais armadores, outros mais meias/atacantes e outros mais atacantes de beirada, porém, caso Joel Santana não mude a filosofia de jogo – o que acho muito difícil – serão dez jogadores buscando duas vagas. Isso tem o lado bom. Serão opções variadas em termos de características e qualidades. A parte ruim é correr o sério risco de gerar desmotivação e insatisfação nos não aproveitados. Fico com a primeira. Melhor ter muitas opções que poucas, mas olhando pelo lado prático, não via necessidade alguma em manter Lulinha e Jones, principalmente, com os retornos de Vander e Ananias. Fábio e Paulinho, mesmo que em um jogo ou outro da caravana atropelada do Campeonato Baiano, precisam ter oportunidades para amadurecer. Com tanta concorrência de nome, vão acabar encostados, atrasando a maturação.
 
Isso tudo é uma suposição pelo que conheço do sistema tático de Joel e pela forma do elenco estar sendo formado. O contraponto e a esperança ficam em cima de uma, pelo menos no discurso, vontade do “Papai” em usar os meninos. Em contrapartida, vem em mente a forte pressão – obrigação até – de quebrar o jejum de títulos estaduais. Como cobrar de um treinador atenção com a molecada, com o aperto psicológico de todos os lados pelo troféu? Posso estar redondamente enganado e, como no último texto, abraçar a precipitação, porém, difícil achar que o contrário venha a acontecer, mesmo com todo o talento dos garotos.
 
 Por falar nos guris, já que a diretoria admira tanto o Inter na questão do estatuto, por que não fazer com Rafael e Gabriel o mesmo feito pelo Colorado com Leandro Damião? O ex-craque do futsal, Ortiz, um dos maiores pivôs que o esporte já produziu, pegou um moleque cru, com poucas perspectivas para deixar de ser mais um, ajudou e muito a forjar o hoje titular da Seleção. Genialidade é de berço e não se injeta, contudo, com esforço, vontade, repetição, seriedade e capacidade de aprendizado, um jogador comum – claro que tem de ter o dom - na base pode virar um diferenciado no físico futebol atual. Junte os itens citados a um professor atento as deficiências, com conhecimento de causa e terá resultado.
 
 O quarteto de trabalho na formação do boleiro é: aprendizado tático, psicológico, físico e os fundamentos técnicos. Kaká era reserva nas divisões de base do São Paulo e poucos botavam fé. Entrega Rafael e Gabriel a Uéslei, junto com um auxiliar de preparação física, e em poucos meses até gol de falta o Gladiador vai fazer. Alguém topa uma aposta comigo? 
 
Tenho me preocupado com a zaga e as laterais. Não consigo ter confiança em Boiadeiro e Coelho e vejo poucas chances no horizonte para Madson. É uma posição complicada e Joel tem de esquecer nome. Quem estiver melhor entre os três, tem de jogar! Simples e clichê, mas, diferente do que se imagina, é muito difícil de acontecer. Deixa a bola rolar! Do outro lado, Ávine segue com problemas médicos. Outra cirurgia e os questionamentos chegam cheios de inevitáveis malícias. Prefiro deixar isso para lá, já que especulação e “verdades” plantadas servem apenas de desgosto. Todo mundo está sujeito a lesões. Se está na chuva vai se molhar. É a lei da selva! O fato é: será que o jovem William Mateus aguenta o tranco?  É possível que sim, mas é difícil pagar pra ver. Pelo menos a princípio, não me parece promissor como Madson. 
 
Mesmo caso dos substitutos de Danny Morais e Titi. Estariam Rafael Donato, Diego Jussani e Dudu em condições de manter ou aumentar o nível? Só resta confiar na análise de Paulo Angioni e Joel Santana e esperar que saibam o risco a ser bancado. Quem me acompanha sabe que já pedia Danny no lugar de Paulo Miranda, contudo, com um ou outro, a zaga ficaria a altura. Peças de reposição ganham campeonatos e é preciso critério, sorte e paciência. Que os desconhecidos se mostrem eficientes, seguros e, por que não, melhores que os teoricamente titulares. Tenho pouco a falar de Donato e Jussani. Esse até se mostrou um cara de porte, técnico e com bom posicionamento, entretanto, ainda bem imaturo. Essa palavra me remete a Dudu. As últimas partidas que acompanhei desse garoto me assustaram. Fez renascer na memória, Aciolly! Como diria um seguidor do Twitter, “very, big, tenso!”. 
 
Conselho
 
O que falar da formação deste “novo” Conselho Deliberativo do Bahia, eleito no dia 6 na sede de praia? Para resumir bem a total falta de comprometimento dos membros, dos 300 empossados e 100 suplentes, apenas 213 apareceram para votar. Ou seja, quase metade dos eleitos sequer se dignou a consagrar na urna a si mesmo! Atrevo-me a dizer que muitos nem sabem que receberam tal cargo. O que era para ser o braço forte do clube, agregador e fiscalizador, nada mais é que uma rainha da Inglaterra cega, surda, muda e aleijada! Para dar ainda mais moral a Assembleia, por pura coincidência, foi marcada bem longe dali, quase no pedágio da Linha Verde, no Litoral Norte, a apresentação oficial de quatro dos cinco reforços até aquele momento confirmados. Mas quem liga para isso, né? De que serve o Conselho, quando o importante é a bola na rede? Nesse momento que escrevo, dia 10, às 10h33, nada da lista com os nomes eleitos. Isso deveria ser divulgado no mesmo dia, na mesma hora! Antes até. Daqui a pouco divulgam, rapaz, para que o drama?
 
Tem como tirar a razão de quem não dá a mínima para isso? Eu, por exemplo, sou sócio patrimonial e tinha direito a voto, mas não compareci. E olhe que me preocupo muito com isso! Tinha arrumado desde outubro as férias de nove dias junto com a nega. Estava em Porto de Galinhas no dia. Tinha como adivinhar ou abrir mão? Pense ai: “amor, só vamos ter metade dos dias de descanso, por que tenho de ir a Salvador votar na Assembleia do Conselho Deliberativo do Bahia”. Iria iniciar um Amargedon. Como 2012 chegou, não queria levar essa culpa! Muitos que se ausentaram podem e devem ter argumentos parecidos. Outros nem deveriam saber da votação. Existem milhões de motivos para que não se cumpra um direito. Com essa mea culpa, posso soar hipócrita. É um risco calculado e fica nítido que a última coisa que se dá ao teoricamente segundo poder do Esporte Clube Bahia, é importância. Olha o cruzamento: gol do Bahia!