Mudando de assunto
Mudando de assunto. Adoro o fim de ano. Natal e réveillon, para mim, são comemorações bastante aguardadas e aproveitadas. Não por questões religiosas ou superstição. No primeiro é a esperada reunião familiar, quando junta a minha parentada espalhada pelo país – pena que não tem sido assim nos últimos anos – e no segundo é a bagaceira com os amigos. Inesquecíveis passagens de ano em Arraial d`Ajuda e Ilhéus. Tenho como fundamental os encontros, as festas, a comilança de comida e água, mas esse ano não pode ficar só na diversão fora da realidade. Acredito estarmos à beira do precipício de estrutura, educação, saúde e tudo o mais. Ou damos um basta, ou comeremos merda como se fosse moqueca de camarão e lagosta! Em muitos casos, isso já é um fato!
Desculpem fugir do assunto costumeiro, mas precisava desse desabafo. Abro o jornal e vejo que algumas das principais referências turísticas da Bahia como Porto Seguro e Itacaré entraram pesado nas estatísticas de violência. É mais importante dizer que tem o controle do que buscá-lo. Isso não pode acontecer! Viro a página e mesmo com “os buzu” decrépitos como sempre, a tarifa vai aumentar em Salvador. Diminuiu o engarrafamento, o tempo de viagem? O ônibus ficou mais aconchegante, com a certeza de ir sentado em uma cadeira limpa, confortável, sem risco de assalto e refrescado pelo ar condicionado? A obrigação virou utopia digna de ser taxada de milagre!
Milhões de etc. e perguntas! Salvador se tornou o retrato do descaso, do abandono. Aeroclube? Ferry Boat? Elevador Lacerda? A praia de Itapuã? Trânsito? E se chover? Nem adianta correr para as montanhas, como diz o ditado, por que elas desabam! Violência a torto e a direita! Ruas escuras e sujas. Praias abandonadas e sem atrativos. Poluição sonora e falta de respeito é de praxe, com zuadas de péssima qualidade alavancada por pseudos pagodes como A Bronkka (minha bronca é a existência disso) e Black Style, que ofendem os ouvidos e deseducam nossos jovens. Por que não buscam algo produtivo? Muito disso não é privilégio de Salvador, mas nossa capital extrapola! Parece ter uma nuvem negra, carregada, sobre a Terra de Todos os Santos.
De volta ao jornal. Página seguinte e vejo o metrô nos trilhos. Nos trilhos da estupidez e comodismo da população. Quem votou e não toma nenhuma atitude contra os incompetentes e/ou corruptos? Sim, brother, a culpa é nossa! Impressionante como nada acontece e ainda somos obrigados a assistir abobados, comerciais dizendo estar tudo as mil maravilhas. No mínimo tinha de rolar uma pedrada na TV! Reage, pô! Fui covarde e reconheço. Ao invés de lutar por Salvador, escolhi o caminho mais fácil e voltei para interior. Mesmo sendo um desejo e uma filosofia de vida desde sempre, poderia ter feito muito mais pela cidade que me acolheu e ajudou a forjar o homem que sou hoje. Por outro lado, penso ser um carro a menos no engarrafamento. “Se não posso salvar o mundo, pelo menos não ajudo a acabar com ele”.
Resolvi falar isso tudo – ainda tem muito mais, mas a irritação e a limitação do espaço não permitem escrever tudo que penso e quero – por estarmos a entrar em mais um ano de eleição. Dizem que futebol, política e religião não se discutem, contudo, tirando à última, é só o que tenho feito, sem a parte divertida! Não entrarei em méritos – deméritos seria mais apropriado – partidários, por que essa não é minha função. Parceiro, não direi que vote em A, B, C, D, Z ou nulo, porém peço encarecidamente atenção na escolha dos representantes municipais e, também, um pouco mais de responsabilidade nos direitos e deveres. Está explicito que ninguém vai resolver por nós. Portanto, faça sua parte!
Sabe aquela mijadinha na rua? Aquele papel ou latinha jogado pela janela? Segure a onda, negão! Pode parecer pouco, mas já ajuda. Não espere pelos outros! Cobre, proteste, faça valer o seu direito e cumpra as obrigações para o bem estar da nossa sociedade. O “menos pior” não existe: é carniça do mesmo jeito! Existem exceções. Procure que você acha! Se fizermos o nosso, tudo será mais divertido, interessante, agregador. Não vale dizer que na casa de Zezinho é igual ou pior. É problema dele! O ruim dali não pode servir de justificativa para o errado daqui. Não valorize quem não lhe valoriza. Desprezo aos pombos sujos! Sou juazeirense, ilheense, soteropolitano, baiano e brasileiro com muito orgulho e preciso cuidar disso: me ajude!
