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EQUILÍBRIO POR BAIXO

Vai começar a final do Campeonato Baiano e, como não poderia deixar de ser, deu o óbvio. Porém, esse mais do mesmo dessa vez é preocupante. Por que, vejamos bem: o que seria do Vitória até aqui na temporada se não fosse o atacante Júnior? E quem diria que o grande jogador do Bahia seria Ananias, quase sempre execrado por todos? Nada contra os dois atletas, mas o fato deles serem os destaques é, realmente, inquietante para as pretensões dos clubes nas competições nacionais.


O rubro-negro, um cearense perto de completar 34 anos, foi aprovado após um período de testes na Toca do Leão, como se fosse um garoto de 20. No currículo, uma carreira, no mínimo, de pouco brilho por clubes de terceiro e quarto escalão na Europa. Não estou aqui questionando a qualidade do jogador ou o fato de o Vitória ter, possivelmente, conseguido um grande achado. Mas, quem sonha com uma vaga na Libertadores e o título da Copa do Brasil, não pode focar seu elenco em jogadores em teste, como Lenílson, Teco e Fernando. Independente de ser campeão ou vice do Baiano, a diretoria terá que fortalecer e muito o elenco, por que, senão, terá que se digladiar com, os também meia boca, Guarani, Atlético-GO, Ceará, Goiás, Atlético-PR, Grêmio Prudente e Avaí e, talvez, com um ou outro grande em má fase – o que agora parece distante - contra o rebaixamento no Brasileiro. Em tiroteio de cego, qualquer um pode cair.

 
No caso tricolor, Ananias era uma promessa das divisões de base, mas entregue a times ruins e uma torcida que tem tolerância zero com a garotada, passou a ser chamado, jocosamente, de “Anãonias”, muitas vezes, até, com razão. Fico feliz com essa ascensão dele, que é um garoto sério e batalhador, mas preocupado. Se parar e pensar bem, logo vem na cabeça: se Ananias é o “craque”, alguma coisa está errada. Já foi escalado de volante, lateral direito, atacante e, vez ou outra, como meia, sua posição de origem. Sempre era colocado no esparro, mostrava lá alguma qualidade, mas se destacava apenas pela raça. Agora, é o homem com obrigação de desequilibrar. Parece muito pra ele e pouco para o Bahia. Torço muito pelo seu sucesso, mas o time precisa de outras variáveis. Vale lembrar, que o meia está fora da primeira final. A situação no Fazendão não é tão preocupante como a do rival para o nacional, única e exclusivamente por a Série B ser bem inferior a Série A, mas vai ter que reforçar!


De volta à decisão do Baiano, espero que as duas partidas da final sejam diferentes da competição até aqui e tenham momentos emocionantes. Que a arbitragem não seja decisiva, como nos dois últimos estaduais. Aliás, sou completamente a favor da vinda de juízes de outras federações, apesar do nível, ruim, ser praticamente o mesmo. Acontece que Jaílson Macedo, Arílson Bispo e Rodrigo Cintra, além dos bandeiras Alessandro Mattos, Belmiro da Silva, Kleber Moradillo e Raimundo Carneiro, já estão marcados e desgastados, sem ter direito de errar em nada. Seja quem for o apitador e seus assistentes, torço para que tenhamos dois jogos dignos da tradição do maior clássico do norte/nordeste. Que vença o menos pior!