O QUE COMEÇA ERRADO...
Não gosto de agir com petulância de “gato mestre”, mas no dia do anúncio de Vágner Benazzi pelo Bahia, aqui mesmo nesse espaço (ver artigo), com argumentos e fatos, apontei que só um milagre para dar certo. Isso não me orgulha nem um pouco. Ter de falar coisas como “eu avisei”, “viu ai?” é terrível! Sinal de que você fez papel de besta antes e, tudo que poderia ter sido feito e evitado desde o início, terá de ser trabalhado em dobro. O pior é que o planejamento tricolor já começou errado com Rogério Lourenço, aliado a aposta na juventude dos jogadores refugos dos outros. Me atrevo a dizer, que piorou com a contratação de Benazzi.
Agora, quem planejou isso? Óbvio! Os treinadores não têm culpa de serem ruins (às vezes sim) e não colocaram faca no pescoço de ninguém para serem contratados. A pior coisa que se pode fazer é contratar fulano ou sicrano por que não tem outro. Ainda mais quando é uma indicação do presidente do Conselho Deliberativo. É sinal quase certo que vai dar, desculpe o termo, merda! E manter isso não ajuda em nada! Entendo que o Bahia não tem dinheiro para ir ao mercado e trazer quem quer. Por isso, acaba refém de empresários que, para mandar Souza com 70% do salário bancado, manda outras pragas para pagar a conta. E praga, amigo, ou você desinfeta logo ou infesta e, para se livrar, tem de acabar com tudo!
De volta a Vágner Benazzi. Ele foi demitido por sua própria incompetência e despreparo. Costumo dizer que ele teve duas participações decisivas, uma para o bem e a outra para o mal. O mérito foi de ter levantado a auto-estima do grupo antes do Ba-Vi, o que foi fundamental para o triunfo. Em contrapartida, acabou com o padrão dado a duras penas por Chiquinho de Assis, em meio à desconfiança e turbulência. Acredito que não trabalhou a equipe taticamente por falta de conhecimento mesmo. Boleirão demais! É quase unânime a fragilidade do meio de campo tricolor, mas ele não mexia nos 3 volantes. O que Boquita fez tática e tecnicamente para ser mantido?
Que seria assim, era quase uma certeza! Agora, isso não justifica a forma como o Bahia fritou e demitiu o treinador. Desde a negociação com Joel Santana, que o clube, em off, fez questão de contar para todo mundo - em detalhes - ao capítulo final, com a demissão via entrevista em rádio. Benazzi foi o último a saber. Por mais que seja ruim, o profissional precisa ser respeitado para que o contratante seja respeitado. As notícias correm! Depois, quando os caras recusam propostas irrecusáveis do Bahia, neguinho fica sem entender. Respeito, critério, organização e seriedade, devem permear o trabalho de um clube profissional.
Como o que está feito, está feito, vamos às conseqüências. O presidente afirmou ter urgência em contratar novo treinador. Entendo isso, já que um fato novo pode garantir a arrancada para a reta final do Baiano e o seguimento da Copa do Brasil, mas tenho receio. O Bahia errou com Benazzi por agir dessa forma. Talvez seja melhor dar suporte para Chiquinho, enquanto procura um nome de peso e competência comprovado, para comandar uma necessária e urgente reformulação do elenco. O que começa errado, não precisa terminar errado. Mas, se mantiverem a pressa para contratar e a lerdeza para dispensar, vai ficar difícil!
Em tempo, vejam a escalação e imaginem esse time jogando a Série A: Tiago; Marcos, Luizão, Nen e Dodô; Jataí, Boquita e Camacho; Pedro Beda, Bruno Paulo e Jones. Não dá!