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Ou 8 ou 80

Por Éder Ferrari

Ou 8 ou 80
Antes de qualquer coisa, aviso que vou falar daqui (Salvador/Bahia), por que não conheço a realidade dos outros lugares. Também deixo claro que a generalização é proposital, pela intenção de levantar o debate para que entendam sempre ter dois lados. A galera aqui é assim: quem gosta de Ivete Sangalo, obrigatoriamente, não pode curtir Cláudia Leite. Quem estuda na UFBA tem de ser de esquerda e quem cursa nas faculdades particulares recebe a pecha de filhinho de pai sem capacidade de entrar na UFBA. Existem outros vários exemplos. Para não ser mal entendido, novamente repito: trata-se de uma generalização grosseira e proposital!

Pois bem, por que estou ofendendo toda gente em um artigo que deveria ser sobre futebol? Bom, de fato, minha intenção é mostrar como as pessoas costumam ser intransigentes com os conceitos – inclusive eu em determinadas situações. Ninguém pode elogiar ou cobrar um “inimigo” que é por interesse, oportunismo. Chega ao absurdo que, em qualquer comentário, é preciso colocar desculpas no meio. “Não tenho interesse nenhum”; “não recebo nada”; “não quero cargos”; “nada pessoal contra A ou B”, etc. Se você critica, tem segundas intenções. Se você elogia é comprado. Se muda de opinião é incoerente. E assim você tenta seguir em frente, sendo pedra e vidraça o tempo todo. Esquecem que o dever do jornalista é com os fatos e não com os lados. Pensam quem é fácil? Vá nessa...

Semana passada o Bahia recolocou no site oficial a lista de Conselheiros, mas com 58 mudanças sem qualquer justificativa, que veio depois, bem incipiente, pelo Twitter. Completa falta de transparência a parte, todos os excluídos o foram com justiça. A questão é que tem mais uns 200 para serem retirados. Por que apenas os 58? Saíram apenas aqueles inconvenientes a diretoria e, os substitutos, são convenientes. Por essas e outras, que Marcelo Guimarães Filho não consegue cair nas graças da torcida. Tudo que ele faz de bom no futebol, acaba sendo deixado de lado por ações antidemocráticas no clube. O que me deixa mais intrigado é o fato de não ter a menor necessidade disso. Tivesse mudado o estatuto como prometeu, diga-se de passagem, estaria com moral de ídolo.

Não estou com o espírito para aprofundar no tema, que é chato, surrado e por isso vou finalizá-lo com conselhos óbvios e repetitivos, mas, infelizmente, ainda bem atuais e pontuais. O Bahia precisa ser da torcida e não de grupos. Não vejo razão para situação e oposição viverem em pé de guerra no caso de um clube de futebol. Todos, acredito eu, devem querer a mesma coisa, que é o crescimento estrutural, institucional e os conseqüentes títulos. Então, por que não ter um pouco de bom senso e pensar no Bahia e não em vaidades pessoais? Vem eleição pela frente e tudo será como sempre foi. A chance de antecipar modernidade e agregação ficará para outra oportunidade. Para que esperar tanto? Ninguém tem completa razão ou é o único culpado nessa estúpida disputa, porém o tricolor e os tricolores são quem pagam o pato.

Coritiba x Bahia

Entendi o excesso de cautela de Joel Santana no início do jogo, já que o Coritiba é muito forte dentro de casa e entrou com um esquema bem ofensivo, entretanto, exagerou! Não só por uma postura muito tímida – ainda assim conseguiu criar chances para vencer o jogo -, mas pela falta de gente chegando à frente. Basicamente, o Bahia atacou com Dodô, Jones e Souza, que ficou muito isolado: muito pouco! Sem Marcos, não tinha alternativa nos relacionados que não fosse Marcone e, por isso, Ricardinho não poderia ter entrado no lugar de Maranhão ou Lulinha. Como quarto homem, o veterano não pode jogar! Falta velocidade e chegada ao ataque. Claro que se deve contar sempre com o máximo de cada jogador, porém, tem de estar preparado para o pior. Imaginem ai, se Dodô estivesse em uma tarde ruim?

Joel tem muito mérito em armar sistemas defensivos. Não se vê mais os buracos da época de René Simões, no entanto isso está custando, de certa forma, nos jogos fora de Salvador, uma abdicação ao ataque. Claro que é muito fácil falar agora e, obviamente, o cara poderia não render nada, mas com um homem de velocidade e chegada no lugar de Ricardinho – pensar na vaga de Hélder é exigir demais de “Papai Joel” – o Bahia tinha vencido o jogo. O Coritiba deu muitos espaços e parecia relaxado na marcação. Olhando a rodada e apenas o resultado, acabou ficando de bom tamanho. De ponto em ponto, a Sul-Americana se aproxima e o Z4 se afasta, porém, poderia ser com menos estresse. Pela filosofia de buscar sempre o empate fora de casa, Joel perdeu a chance de ter dois pontos a mais no objetivo de sair do sufoco. Hoje, estaria oito à frente da zona do rebaixamento. O time está mais seguro e sossegado na tabela - o que é bom e muito devido a Joel -, contudo, bem previsível no ataque.