Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

A bola que rola

Por Éder Ferrari

A bola que rola
O futebol e os clichês. Impressionante como esse esporte não abre mão de seguir sempre com conceitos prontos e imortais. Em poucos lugares a bola gira tão literal e metaforicamente como dentro de campo. O velho ditado que diz “o mundo dá voltas” mostra bem o atual momento do Bahia no Brasileiro. Contra o Botafogo, apenas três jogadores – Lomba, Paulo Miranda e Fahel – não estavam no grupo que fez um Campeonato Baiano pífio. Será que o time não era a desgraça que todos imaginavam ou a Série A não é o bicho papão que pintam?

Como admirador e agora crítico, nunca deixo de levar duas coisas em conta para analisar o futebol: as circunstâncias e saber que cada caso é um caso. No início do ano, tecnicamente, até não foram contratações ruins, mas observando o contexto de cada atleta para juntar em um grupo, foram terríveis. Já falei sobre isso, contudo o momento atual requer essa reflexão. Se não prestaram no Estadual, como estão relativamente funcionando no Nacional? O fato é que muitos vieram de longa inatividade, sem entrosamento, sem um comandante de verdade e com várias laranjas podres no elenco. Imaturidade levada em conta, não tinha como dar certo.
 
Hoje, Marcos, Titi, Dodô, Maranhão e Souza, por exemplo, estão jogando muito mais. O espaço é curto e não dá para analisar caso a caso, vou falar sobre dois jogadores. Dodô é o típico caso de garoto que queimou muitas etapas nas divisões de base. Subiu antes da hora, ficou encostado e não fez o trabalho correto de maturação. Uma vez no profissional, os treinadores querem jogadores prontos e não precisando de trabalhos de fundamentos e fortalecimento físico. Qualidade técnica ele sempre teve, mas faltava maturidade e força. Ainda tem muito a melhorar, mas já não assusta vê-lo na escalação. No caso de Souza, já chegou com a pecha de fracassado. Naturalmente, muita gente se deixa levar pelo que os outros falam. O ruim dos outros tem de ser, quase obrigatoriamente, ruim pra gente.
 
Ai que entram as circunstâncias. Souza vinha de duas temporadas sem ter sequência no Corinthians, tinha acabado de perder o pai e, para completar, se machucou algumas vezes e perdeu a chance de ganhar o ritmo de jogo necessário. Isso sem falar que a torcida passou a tirá-lo ainda mais para Cristo, após a justíssima dispensa de Jael. “Como mandam o ‘Cruel’ embora pra ficar com essa carniça?”. Foi bem por ai. Por sorte, em um momento muito importante, quando os supostos jogadores contratados no Brasileiro para resolver – Ricardinho, Carlos Alberto, Jobson e Reinaldo – sumiram, os rejeitados estão conseguindo levar o time a mares mais calmos longe da zona do rebaixamento. 
 
O momento agora é de manter a superação e não dar espaços para os adversários, principalmente quando houver confronto direto. O jogo contra o Cruzeiro é daqueles chamados “jogos de seis pontos” – olha o clichê ai. Caso vença o entalado rival, o Bahia colocará sete pontos de vantagem sobre a Raposa restando nove jogos para o final do Brasileiro. Isso sem levar em conta os outros concorrentes, que têm jogos complicados na rodada. Para mim, é o jogo, simbolicamente, mais importante do tricolor na Série A. Se vencer, arrisco a dizer, que se livra de vez do rebaixamento e, como uma cereja no bolo, empurra o time mineiro para o buraco. Seria uma vingança descarada da humilhante goleada imposta em 2003. 

O nível técnico dos times e o futebol apresentado neste Brasileiro não me agradam. Fora os jogos do Bahia, quase nenhum chama minha atenção previamente a ponto de "parem tudo, que vai ter Vasco x Corinthians", para ficar nos lideres. O investimento tem sido alto, no entanto alguns jogadores ganham muito mais do que merecem e as equipes, infelizmente, são igualadas por baixo pelo pensamento retrógrado da maioria dos treinadores. Eles estão superestimados pela visão atual do futebol. Quem faz gol são os atacantes, porém, que os escala e como escala, são os "professores". É um assunto polêmico e complexo, mas, resumindo, o resultado virou mais importante que a qualidade do espetáculo. Coisas naturais em uma sociedade altamente competitiva.