FAVAS CONTADAS
Com uma rodada de antecedência no Torneio da Morte, o favorito Colo Colo foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Baiano. Como ilheense que sou – nasci em Juazeiro, mas fui criado e morei em Ilhéus até os 14 anos -, tive um momento de lamento pela cidade e a região, que é apaixonada por futebol. No entanto, eram favas contadas há tempos e a lamúria inicial virou um amargurado “bem feito!”. E, como não poderia deixar de ser, a incompetência venceu!
Antes reconheço que o Colo Colo foi prejudicado pelo inacreditável regulamento, que facilita a vida dos piores. Mesmo com a sexta melhor campanha, caiu no Torneio da Morte. Talvez, repito, talvez, essa frustração tenha jogado a motivação e a auto-estima no saco. Foi à única injustiça com o Tigre, mas, na verdade, teve oportunidades de garantir a classificação e vacilou. E pensar que, na estréia da competição, foi ao Barradão e venceu o Vitória, dando uma falsa impressão de boa campanha.
Na verdade, quando guri em Ilhéus, o Colo Colo era adversário do meu time, o Albatroz, nos campeonatos e torneios amadores. A rivalidade era divertida! No futebol profissional, ia a todos os jogos do River, no Mário Pessoa. Lembro de uma partida contra o Bahia, quando deram, se não me engano, uma pedrada na careca de Paulo Maracajá, em 1994. Eram bons tempos que, pelo visto, com o Colo Colo, não voltarão tão cedo! José Maria precisa abrir espaço para o novo. Não consegue mais apoio dos comerciantes locais e, pior, quer centralizar tudo sem ter mais força e saúde para isso. Respeito às conquistas e entendo as dificuldades, mas o rebaixamento é, praticamente, culpa exclusiva de Zé Maria.
E pensar que o Colo Colo, há cinco anos, era campeão Baiano em pleno Barradão! Entendo as circunstâncias da época, em que Bahia e Vitória estavam na Série C e, portanto, a visibilidade estadual era quase zero para conseguir manter o crescimento. Mas os ilheenses sequer tentaram pegar o bonde: apenas o viram passar, com preguiça até de olhar. A terceira força esperada, o grande tigre, virou gatinho. Porém, para isso, um pouquinho de organização, humildade e competência não fazem mal a ninguém. Uma reviravolta e os ilheenses abraçam novamente o time. Fico triste pelos abnegados que tentam manter o clube em pé. Se a incompetência centralizadora for mantida, será mais um ex-campeão extinto, infelizmente!