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RESPEITO EM EXCESSO

Apesar de sempre fazer artigos após as partidas, não gosto de escrever sob o calor de um único jogo. Corro o risco de ser injusto, imediatista e esquecer circunstâncias que levaram ao resultado. No entanto, depois do empate com o Paysandu, não poderia deixar de destacar esse duelo em particular. O Bahia não saiu do zero com uma (não falo da instituição e sim do time) equipe que parecia amadora. Jogadores bem acima do peso, outros com muitos verões e pouca qualidade. Um pouquinho mais de inteligência e ousadia, o tricolor metia uns quatro sem problemas. Respeitou demais!

 

Se tem uma coisa que tiro de positivo deste jogo, foi a posse de bola no meio de campo. Pela primeira vez no ano, o Bahia conseguiu jogar no campo de ataque, com calma e boa troca de passe. Os zagueiros avançaram e compactaram o time, quase eliminando o buraco que o recuo demasiado dos beques deixava na intermediária. Titi foi um monstro! Os laterais revezaram bem no apoio ao ataque e não deixaram espaços atrás. Em compensação, foram egoístas, principalmente Marcos, e ineficientes nas assistências. Marcos jogou fora a eliminação no jogo de ida por fomiagem. Ia coroar uma boa atuação, mas quis se consagrar em três oportunidades. Foi inacreditável o que ele fez ao não rolar para Souza!

 

Chego agora à parte mais complicada: o ataque! Fui a favor da contratação de Robert e vejo que ele tem se dedicado nos treinos e está, realmente, incomodado com a situação. Mas, time de futebol, não é casa de recuperação. Se não estiver bem, sai da equipe e tenta readquirir nos treinamentos; com conversas, jogos-treinos... O que não pode é jogar só com o nome! O Bahia, que já tem um meio de campo lento e pouco criativo, esbarrou na improdutividade dos atacantes. A bola pouco chegou, é verdade, mas eles não deram opção, não buscaram jogo e têm pouca mobilidade. Acho que Souza deve ser o titular, mas não ontem. Ficou 32 dias no departamento médico, treinou uns seis e foi para o jogo. Não existe! Pela idade e estrutura física, precisaria de uma nova pré-temporada. Não dá pra voltar com 60 ou 70% da capacidade.

 

Ramon, que era para ser o homem decisivo, entrou desligado e desligado, injustamente, foi expulso. Benazzi demorou em tirar Robert ou Souza para colocar Zezinho. Era preciso mais agressividade e velocidade. Hélder e Boquita fizeram o feijão com arroz bem feito na marcação, mas não apareceram como opção de ataque. Sem Ramon ficou basicamente restrito a lançamentos longos e cruzamentos dos laterais. Contudo, apesar do Paysandu ter um time no nível dos que disputam o Torneio da Morte no Baiano, vi evolução no tricolor, principalmente em termos de posicionamento. Agora, é preciso aliar isso a agressividade e velocidade do meio para frente, o que não terá com Robert e Souza. Para terminar, deixo um questionamento. Por que Maranhão, o atacante que melhor treina, não tem oportunidades?