INDIVIDUALIDADE
Domingo é dia de futebol e, esse último, foi especial. Logo cedo, vi o nascimento na amarelinha de um - assim espero - craque da Seleção Brasileira. Neymar marcou dois gols e colocou uma bola no travessão da Escócia, fora dribles e a personalidade mostrada. Um pouco mais tarde, no tradicional horário dominical boleiro, às 16 horas, o Bahia foi mais uma vez dominado taticamente, mas, na individualidade de Dodô e Ramon, arrancou um triunfo recuperador. Os babas não foram lá muito empolgantes, mas deram mostras que, quem ganha o jogo, são os diferenciados. Antes de continuar o texto, aviso logo: não estou comparando os jogadores, viu?
Pois bem, muita gente não consegue mais se empolgar com a Seleção por milhões de motivos, que eu entendo, mas não é o meu caso. Gosto muito, torço e fico envolvido com as coisas do time canarinho. Por isso, acordei cedo para assistir o jogo realizado no fantástico estádio do Arsenal, em Londres. Vi o melhor zagueiro do mundo, Lúcio, voltar a vestir a camisa 3 e a faixa de capitão. Pelo que conheço e o que vem jogando atualmente, será uma surpresa Lúcio, que parece ter uns 25 anos, chegar em 2014 sem condições de defender o Brasil, mesmo com os 36 anos que terá. Nem que seja na reserva. Mais para frente, uma preocupação grande começa a se dissipar. Mesmo ainda meio devagar no Santos, Paulo Henrique Ganso voltou de cirurgia mostrando toda a maestria que se espera dele. É uma certeza para os próximos jogos do Brasil. Contudo, mais que Ganso, a atuação do garoto Lucas, do São Paulo, na estreia com Mano Menezes, encantou. Cravo fácil que é craque e fará a diferença.
Aquela velha frase, que já foi dada para diversos autores, cabe aqui. "Craque você reconhece pelo arriar das malas". E, assim como Lucas, Neymar é um quase craque que, se não acontecer nada de errado na carreira, em pouco tempo estará concorrendo à melhor do mundo. O jeito de ser controvertido e marrento faz com que algumas pessoas não gostem dele, mas o fato é que, desde Ronaldinho Gaúcho, não surge um atacante com tanta premissa de genialidade. Se Mano souber mesclar experiência e juventude, o Brasil tem tudo para chegar em 2014 e nas Olimpíadas do ano que vem, com força de grande favorito. Vejam se não tenho razão: Júlio Cesar; Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e Marcelo; Lucas Leiva, Ramires, Ganso e Lucas; Neymar e Pato. Ainda temos Maicon, Rafael, Fábio, David Luiz, Casemiro, Hernanes, Kaká, William, Philipe Coutinho...
De volta ao jogo entre os dois Bahia`s, o resultado não pode mascarar o que se desenvolveu durante o jogo. O time de Benazzi evoluiu um pouco por uma simples mudança de posicionamento dos zagueiros. Thiego e Titi adiantaram a marcação e reduziram o buraco no meio de campo, que não foi corrigido pela entrada de Boquita no lugar de Moreno, como muitos acreditam. O tricolor seguiu perdido, correndo de um lado para o outro atrás do qualificado toque de bola do Tremendão, comandado pelo ótimo Diones. A diferença ficou nos pés de dois jogadores. De onde menos se esperava, saiu um cruzamento perfeito e um golaço, em momento tenso do jogo. Dodô, a quem eu critiquei no último artigo, mostrou que, com confiança e sem omisão, pode ser útil.
Mas, um caso a parte é Ramon. Às vezes disperso e pouco participativo, com a bola no pé, tem mostrado categoria e visão de jogo impressionantes. Com liberdade, sem se preocupar com a marcação, é diferenciado. Conheço o futebol dele desde a Seleção Sub-17, quando, ao lado de Anderson e Kerlon, encantou. No entanto, a vida boêmia e a preguiça para treinar, não o deixaram se tornar o que sua qualidade técnica permitia imaginar. Contudo, a pouca idade (22 anos) e o bom ambiente no Fazendão, me faz crer que, bem orientado e com a cabeça no lugar, pode retomar a carreira e ser um grande destaque na temporada. Se ligue, Ramon!